Com um incidência preocupante de mortes de pessoas infectadas com o vírus da raiva, registadas em 2016, a Administração Municipal de Benguela, Direcção Municipal da Saúde e Serviço Provincial de Veterinária, reúnem esforços para combater a doença, evitando que a mesma se propague.

Garcia Paulo, director municipal da Saúde, admitiu que “um dos grandes problemas da actualidade é a raiva. Nos últimos anos, temos estado a registar um número elevado de mordeduras de animais: macacos, morcegos e cães.” No decurso de 2016, a repartição de Saúde que dirige enumerou “5596 casos de mordeduras” feitas pelos animais supracitados.

Do volume global, “550 foram considerados casos suspeitos de raiva”, o que “resultou em 11 mortes.” Em jeito de esclarecimento, o médico explicou: “a raiva é uma doença infecciosa viral, extremamente letal” sendo que, “uma vez que o indivíduo tenha raiva, raras são as hipóteses de se recuperar”, não há cura. A infecção ocorre quando o animal com raiva entra “em contacto com o homem, quer por mordedura ou saliva”, tendendo a passar a doença ao indivíduo, o que “em princípio resultará em morte.”

Como prevenir o contágio?

“A vacina é preventiva apenas do animal”, enunciou o doutor Garcia, daí que, o homem, ao proteger e imunizar o seu animal, está igualmente a garantir a sua protecção. Mendes de Carvalho, responsável pelo Serviço Provincial de Veterinária, informou que o animal através do qual inicia a disseminação da grave doença viral é “geralmente o morcego”. Assim, o ciclo de contágio começa nos morcegos, animais portadores do vírus mas que não manifestam a doença e, ao morderem um outro animal, infectam-no, tornando-o num risco potencial para a população humana e demais espécies. No quotidiano benguelense, os cães lideram a lista de transmissores. Deste modo, Garcia Paulo aconselha “as pessoas que entrarem em contacto com qualquer animal, desde que não vacinados, devem procurar os nossos serviços” de saúde. O médico salientou que é vital avaliar-se “quer homem, quer animal”. Este, após exame veterinário, se constatar que detém o vírus da raiva, é abatido, uma vez que a doença é contagiosa e letal.

O importante papel do cidadão na erradicação

peQuestionando-se o gestor do Serviço de Veterinária sobre quantos cães infectados abateram em 2016, respondeu: “não abatemos nenhum porque, muitas vezes, as pessoas são mordidas e, automaticamente, matam o cão”, um comportamento ilícito. Mendes aconselha a sociedade a vacinar os animais domésticos uma vez por ano. Assim, mesmo que sejam mordidos por uma espécie infectada, estarão a salvo, interrompendo a cadeia de transmissão, antes que ela se torne incontrolável. Reforçando a importância de sensibilizar a população, o responsável pelos cuidados animais a nível provincial garantiu que, não só a vacinação é gratuita, como há disponíveis cerca de 15000 doses.

Não obstante, a adesão dos proprietários dos animais domésticos é fraca, uma vez que apenas recentemente começaram, “aos poucos, a tomar consciência do perigo que representa a doença” e, “mesmo pessoas esclarecidas, esquecem-se”. O administrador municipal de Benguela, Leopoldo Muhongo, salientou que “os dados estatísticos apontam números que configuram uma preocupação maior para nós”. Sendo que, quanto às mortes assinaladas, ocorreram numa periodicidade “de quase um indivíduo por mês”, destacando-se um caso mais trágico “uma família no Quioche que foi praticamente dizimada pelo surto da raiva.

” Trata-se de uma questão de saúde pública que exige a tomada das medidas necessárias para evitar uma pandemia. As “medidas de contenção” passam por sensibilizar e vacinar em massa, durante dois meses. Por outro lado, a administração municipal assumiu o compromisso de recolher os animais vadios que circulam na cidade das acácias rubras, “não apenas no centro urbano, incluise- lhe também a periferia”. Logo, é imprescindível a participação dos munícipes.

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