Naquilo que considerou “a réplica” à última mensagem sobre o Estado da Nação proferida pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, Isaias Samakuva diz que o país está a ser dirigido por uma equipa com políticas falhadas. Deputado do MPLA João Pinto considera inconstitucional réplica ao discurso do Presidente da República.

Angola foi descrita ontem, em Luanda, pelo presidente da UNITA, Isaias Samakuva, como estando “muito doente e a enfrentar graves desequilíbrios regionais estruturais e uma crise de identidade sem precedentes, social, institucional e financiera.” O líder do maior partido na Oposição fez este pronunciamento num encontro com os militantes do seu partido, testemunhado pela comunicação social, na sua já habitual réplica política ao discurso do Presidente da República.

O político referiu que o país está a ser dirigido por uma equipa com políticas “falhadas” que escapa ao controlo dos cidadãos e que a fragilidade do Estado ficou demonstrada pelas debilidades do sistema de saúde, pela institucionalização dos crimes de suborno, peculato, branqueamento de capitais e corrupção, pela não responsabilização dos agentes públicos envolvidos, pela incapacidade generalizada de prestar serviços básicos à população e de cumprir satisfatoriamente as tarefas fundamentais do Estado.

Isaias Samakuva disse que as perspectivas de crescimento da economia foram revistas em baixa, de 3,3% ao ano, para 1,1% com o sector petrolífero a crescer 0,8% e o sector não petrolífero a 1,2%, o sector diamantífero com um desempenho negativo de 0,6% e o sector da indústria transformadora com um desempenho negativo de 3,9%. “A baixa do preço de petróleo no mercado internacional veio provar que a estrutura da economia política angolana é insustentável e que a crise actual é resultado dos erros acumulados da gestão danosa dos recursos públicos ao longo dos anos”, disse.

O político frisou que o sistema financeiro está desacreditado porque tanto facilita os roubos ao erário público, a fuga de capitais e lavagens de dinheiro, como não tem liquidez e não garante o acesso legítimo às divisas à esmagadora maioria dos angolanos. “Na última legislatura, o país não produziu nem distribuiu melhor, ao contrário do que tinha sido prometido”, disse.

Samakuva adiantou que “apesar da propaganda do slogan «Angola está a subir », as famílias sentem apenas que os preços é que estão a subir, a repressão é que está a subir e a criminalidade e a insegurança, consequentemente, também é que estão a subir, afectando a todas as famílias e o que não sobe são os salários”.

O líder da UNITA disse ainda que quem afirmar que os rendimentos ou o poder de compra dos trabalhadores angolanos estão a subir não conhece a realidade do sofrimento das famílias angolanas, indicando que o sofrimento do povo é tal que o Governo pode ter os meios para silenciar a Oposição e assegurar o controlo sobre os militares, “mas já não pode travar o clamor nacional pela mudança”. “Toda a gente sabe que a força para mudar está nas suas mãos. Já não pode controlar as pessoas nas ruas, a classe média e a juventude urbana”, salientou.

Crise estrutural

O presidente da UNITA avançou ainda que nesta última legislatura ficou claro para todos que “a crise não vem da guerra, nem da baixa do preço do petróleo”, defendendo que “ela é estrutural e resulta de uma concepção errada de Angola, de opções estratégicas erradas adoptadas desde 2002 e da gestão danosa dos recursos do país durante os 14 anos de paz”. “A nossa crise resulta da centralização do poder num só órgão do Estado, sem fiscalização, e da concentração da riqueza nacional numa só família agora, em tempo de paz”, indicou.

“Onde vem na Constituição uma réplica ao discurso do Presidente da Republica?”

Reagindo a OPAIS sobre o pronunciamento do presidente da UNITA, o deputado do MPLA João Pinto disse que o acto de réplica ao discurso sobre o Estado da Nação do Presidente da República não tem sustentação constitucional e interpretou a atitude do líder do maior partido da Oposição como uma “sede doentia pelo poder”. “Isso nem tem precedentes.

Onde é que vem consagrado na Constituição da República de Angola ou na Lei dos Partidos Políticos o direito a uma réplica ao discurso sobre o Estado da Nação do Presidente eleito?”, questionou. Para si, caso queira alternativa, o presidente da UNITA tem de apresentar um programa de governação que convença o eleitorado nas próximas eleições gerais de 2017. “Não vamos perder tempo com isso”, minimizou

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