O peso relativo do sector dos serviços correspondeu a 55% da riqueza criada anualmente (PIB) em 2016, conquistando a ‘vaga’ deixada em aberto pelo recuo do sector petrolífero, segundo mostra o relatório do CEIC sobre a economia angolana

Se o sector petrolífero perdeu peso no conjunto do produto interno bruto (PIB), o dos serviços reforçaram a sua importância, correspondendo a 55% da riqueza produzida no país em 2016, revela o Relatório Económico de Angola respeitante ao último ano do Centro de Estudos e Investigação científica (CEIC) da Universidade Católica.

Em 2002, o sector ‘petróleo e gás’ representava 44% do PIB, recuando para 38% em 2013 e 30% em 2015, retomando embora uma maior expressão em 2016 (38%), de acordo com os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos à composição do produto interno no IV trimestre de 2016, um valor que é questionado pelo CEIC.

Não é de agora a supremacia do sector dos serviços na economia angolana (já em 2013 assumiam-se como principal sector de actividade), mas é de salientar o reforço continuado do seu peso relativo no PIB, conseguindo, no último ano, passar a representar mais de metade da riqueza produzida anualmente em Angola. Em contraste, a agricultura, pecuária e florestas, a indústria transformadora e a construção não têm visto melhorar significativamente os respectivos contributos para o PIB total.

O relatório do CEIC assinala que ‘os dois mais importantes sectores para a diversificação – a agricultura (com pecuária e florestas) e a indústria transformadora – mantêm praticamente inalterados o seu peso relativo no PIB (uma média de 4,7% entre 2002 e 2016, para qualquer deles), ilustrativo das dificuldades em se promover o seu arranque em direcção a uma estrutura produtiva mais alargada e diversificada’.

Ainda de acordo com o documento do CEIC a contribuição da indústria transformadora tem vindo tendencialmente a reduzir-se desde 2004, sendo mesmo negativa em 2015 e 2016 – decai até 2008, recuperando ligeiramente em 2010/2012 para voltar a declinar nos anos consequentes.

Já a agricultura, pecuária e florestas consegue a sua maior contribuição em 2014 (1,12 pontos percentuais do ‘score’ de crescimento registado), regredindo em 2015 e tendo sido nulo o seu contributo parcelar para o crescimento em 2016.

No seu conjunto, o sector não petrolífero da economia, ainda que apresentando um ritmo médio de evolução que supera sempre a taxa média de crescimento do produto interno (PIB), cresce duas vezes e meia menos no período compreendido entre 2009 e 2016 que entre 2002 e 2008 e menos 2,1 pontos percentuais que entre 1998 e 2001.

‘A quebra de crescimento do sector não petrolífero é dramática, com uma diminuição de 8 pontos percentuais na respectiva taxa média anual, de 2002/2008 para 2009/2016’, lê-se no texto do relatório.

O documento do CEIC reproduz as medidas e iniciativas empreendidas no sentido da diversificação da economia enumeradas no ‘Relatório de Balanço das Actividades do Governo 2013-2016’, considerando que se trata de ‘um leque impressionante de realizações entre 2013 e 2016, a maior parte administrativas e burocráticas (ou seja, e correctamente, tendentes a desanuviar o ambiente de negócios para os investimentos privados), mas sem a indicação de efeitos e impactos sobre a diversificação (…) e sobre o ciclo económico’.

Comentários

comentários