Completa-se este Sábado, 12 de Agosto, a terceira semana da campanha para as Eleições Gerais 2017, batalha em que estão envolvidos os cinco partidos e a única coligação aprovados pelo Tribunal Constitucional, a saber: MPLA, UNITA, PRS, FNLA, APN e CASA- CE. O período, definido por lei para durar 30 dias (aos quais se acrescentam 24 horas de reflexão e outras tantas reservadas ao processo de votação), caracteriza- se, basicamente, pela caça ao voto através de múltiplas iniciativas como comícios e acções directas junto do eleitorado (ensinar a votar, convencer pelo argumento, visitas a lugares de grande concentração popular, etc.) mais os tempos de antena na Rádio e na Televisão públicas, dez minutos diários na primeira plataforma e cinco na TPA.

Contas feitas, o país político está a caminhar para “os finalmente” – tomando por empréstimo uma simpática expressão do linguajar dos nossos irmãos da outra margem do Atlântico-, restando apenas por atravessar os últimos sete dias. Na Segunda-feira 21, quando soarem as badaladas da meia-noite, será o finalizar de todo o frenesi que nos mantém ocupados há meses, para então vivermos as vinte e quatro horas de reflexão, de serenar dos ânimos, para o voto em consciência no dia seguinte, 23 de Agosto.

Os sinais fundamentais que definem a hora política em Angola continuam, grosso modo, tranquilizadores. Não há discursos reiterados de confrontação fracturante, parece existir um pacto conciliador entre as candidaturas e está no ar uma certa percepção de que a política partidária é um ingrediente da vida da nação mas não constitui o todo dessa vida. Ou seja, no dia 24 de Agosto, continuará a haver Angola, qualquer que venha a ser o quadro do poder que o voto do povo desenhar. Ao que tudo indica, a maturidade sedimentou-se ao quarto pleito e a partidarização da sociedade – ainda muito profunda, como se sabe – não é suficiente factor de estrangulamento para um povo que, maioritariamente, eleva as preocupações com o bem-estar, a felicidade, a vida familiar tranquila e a prosperidade de um modo geral, à condição de foco e essência.

O voto é um detalhe nesse processo e sê-lo-á cada vez mais, à medida que o processo de construção do progresso e do desenvolvimento de um país de incríveis potencialidades se for cristalizando com o passar dos anos. Mas é claro que a disputa política é sempre um processo penoso, ríspido, duro, devido aos interesses e ambições que tem subjacentes, até porque, no caso concreto de Angola, há um passado cheio de implicações no presente que se procura gerir. Enquanto persistir o fariseísmo e a mutilação conveniente de factos por se considerarem hoje nódoas perniciosas (há um candidato a Presidente da República que, numa opção suicidiária e absolutamente inacreditável, foi capaz de apresentar a sua biografia sem referir um passado de quase 40 anos noutro partido), a reconciliação só se atrasa e a catarse por que clama há muito a sociedade, é empurrada para lá das calendas gregas.

Em presença de tamanha truculência, torna-se evidente que a desconfiança nos políticos (nalguns, ao menos) háde continuar a lavrar com uma força gigantesca no seio dos angolanos, fazendo com que o voto seja, em grande medida, um ajuste de contas ou, se se quiser, um permanente relembrar de passados, com receio de que se premeiem no presente vilanias que deveriam merecer um franco, sincero e corajoso pedido de desculpas. Não se pode subestimar o peso da História na política, sendo a política, ela mesma, um capítulo «irrasgável» do grande livro da História!

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