Os combates entre as forças de Bagdad e o Estado Islâmico têm destruído a vida de centenas de milhares de civis forçados a deixar a cidade, testemunhou um jornalista da Reuters.

O pai carregava a filha nos braços. Ambos gritavam em terror e corriam pelas ruas destruídas de Wadi Hajar, de repente, transformadas num campo de batalha entre os combatentes do Estado Islâmico e as forças especiais iraquianas. Eles e os vizinhos – alguns com sandálias de borracha e outros descalços – fugiam de um contra-ataque do Estado Islâmico nesta zona de Mossul, tentando não ser apanhados pelo fogo cruzado, mais intenso à medida que os militantes apertavam o cerco.

À chegada às linhas das forças especiais, foi ordenado aos homens que despissem as camisas para provar que não eram bombistas suicidas – tem-se tornado uma táctica habitual para os militantes o uso de bombistas – e os soldados disparavam para o ar para tentar que os residentes abrandassem o passo, ao mesmo tempo que lhes davam ordens em árabe.

Um dia antes, as tropas iraquianas tinham utilizado bulldozers para empurrar automóveis de maneira a formar uma barricada para proteger os residentes de eventuais ataques suicidas. Muitos civis viram-se obrigados a abandonar as casas, à medida que os combates nos últimos bastiões do Estado Islâmico, em Mossul, vão invadindo as zonas residenciais, onde a comida e a água são alvo de racionamento há vários meses. O pai estava fora de si. Em pânico. Era óbvio que não pertencia ao Estado Islâmico porque estava vestido com uma camisa curta e levava consigo uma criança. Mais tarde ambos seriam levados para um campo de refugiados.

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