Processo tem como arguido 37 cidadãos (dos quais dois estão a ser julgados à revelia) que, na maioria, residem fora de Luanda.

O juiz-presidente da 14ª Secção de Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, João António Eduardo Agostinho, anuncia hoje a sentença dos 37 cidadãos, entre os quais ex-militares, acusados de atentarem contra a vida do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, entre outros crimes. Em declarações a OPAÍS, o advogado Zola Bambi, um dos integrantes da equipa de defesa, disse, ontem, estar céptico quanto ao desfecho do processo, que corre os seus trâmites num tribunal de primeira instância.

“É muito difícil prever a decisão do tribunal, uma vez que a fase de produção de provas decorreu no meio de muito cepticismo, mas temos a esperança de que seja favorável”, frisou Zola Bambi. Além do crime de atentado contra o Chefe de Estado, os juízes vão explicar se ficou ou não provado que os ex-militares das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), antigo braço armado da UNITA, e das extintas Forças Armadas Popular de Libertação de Angola (FAPLA), cometeram também os crimes de associação de malfeitores e de posse ilegal de arma. Durante as audiências do julgamento, os advogados procuraram demonstrar que os seus constituintes estavam a ser vítimas de uma cabala, por, alegadamente, não terem cometido os crimes de que foram acusados pelo Ministério Público e pronunciados pelo Tribunal.

De realçar que o advogado Sebastião Assureira reiterou, em diversas ocasiões, que os depoimentos dos declarantes só confirmaram que os seus constituintes pretendiam realizar simplesmente uma manifestação pacífica para exigir a sua inclusão na Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolana (CSSFAA), na qualidade de ex-militares. De realçar que dos 60 cidadãos que participariam no alegado atentado ao Presidente da República, os peritos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) conseguiram identificar mais de 38 e só prenderam 35. Dois estão a ser julgados à revelia.

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