Ruben Ndombasi, presidente do conselho de administração da Unicargas, afirmou, em entrevista exclusiva a OPAÍS, que 2016 foi um ano difícil em termos de movimentação de carga. No entanto, anuncia que muitos projectos que não foram concluídos ficarão prontos em 2017, realçando a base da Catumbela, província de Benguela.

Que balanço faz da Unicargas em 2016?

O ano de 2016 foi particularmente difícil no que diz respeito aos números, como consequência da baixa nas nossas actividades, mas não deixámos de levar a cabo acções tendentes a tornar a empresa mais eficiente e rentável. No final do ano passado as nossas previsões de crescimento já apontavam para taxas inferiores e foi possível confirmar esses dados nas nossas avaliações trimestrais. Atendendo ao contexto macroeconómico e orçamental restritivo, não foram feitos investimentos de vulto, apenas a continuação dos projectos já iniciados e a consolidação dos processos internos tendentes a elevar o nível de organização, aumentar a eficiência e a produtividade das operações nas áreas em que actuamos.

Quanto é que foi arrecadado durante o ano?

Até à data foram arrecadados mais de Kz 3 mil milhões de receita e temos plena certeza de que até 31 de Dezembro conseguiremos arrecadar Kz 4 mil milhões.

Pode fazer uma comparação entre o último trimestre de 2015 e o período homólogo de 2016?

Nesta fase ainda não se pode fazer uma comparação efectiva e detalhada, mas podemos, sem medo de errar, apontar para números inferiores em quase todos itens comparáveis, porque a redução das importações teve um grande impacto na nossa actividade durante todo o ano. Foram retirados mais de 80 automóveis que tecnicamente não respondiam às necessidades da empresa. No início do ano a empresa contava com 284 viaturas operacionais distribuídas entre Luanda, Cabinda, Lobito e Luau. A Unicargas conta actualmente com um total de 229 camiões distribuídos pelas diferentes unidades, sendo 129 em Luanda, 60 em Cabinda, 34 no Lobito e 6 no Luau. De realçar que foram retirados mais 61 automóveis por questões técnicas e já começámos a reforçar a frota, incorporando no último trimestre 6 novas viaturas.

Qual foi o volume de carga transportada em 2016 comparativamente a 2015?

Até ao último trimestre do ano em curso transportámos 225.163 toneladas e a estimativa, até final do ano, é de 380.000 toneladas, atendendo aos grandes volumes que normalmente se transportam nos meses de Novembro e de Dezembro. Com o número estimado, prevê-se uma redução de 65% em relação ao ano de 2015. A carga contentorizada representou 70% do volume de transporte e a carga geral, com destaque para o cimento e o açúcar, representaram 25% da tonelagem transportada, sendo a restante ligada ao sector petrolífero e da construção. Importa realçar, este ano, a carga de exportação, onde 252 contentores foram enviados para a China, Vietname e Portugal e mais de 6.000 toneladas de atados de ferro para o Gana e Côte d’ Ivoire.

Como está a reposição de acessórios?

A reposição de acessórios tem sido um verdadeiro desafio atendendo a que os fornecedores não conseguem importar as quantidades necessárias devido à falta de divisas e os que conseguem colocar alguns produtos no mercado, fazem-no com preços muito altos, o que periga a rentabilidade do negócio. Como alternativa para se ultrapassar esta situação a empresa tem feito um esforço para adquirir directamente a fornecedores estrangeiros, mas as condicionantes da banca e sector financeiro não têm ajudado muito e isto afecta tanto a actividade de transporte rodoviário como a do terminal em função da necessidade regular de manutenção dos equipamentos de carga e descarga.

Perspectivas para 2017…

O ano de 2017 será o ano em que iremos finalizar alguns projectos que temos vindo a desenvolver, nomeadamente, o arranque efectivo do Centro de Distribuição da Catumbela, a conclusão das fases I e II do centro logístico do Caio na província de Cabinda, encontrar alternativas mais viáveis à implementação do projecto já existente para reabilitação do cais acostável no terminal polivalente e a aquisição de gruas de terra e a consequente melhoria da eficiência operacional, assente também na melhoria do processo ‘core’ e, por último e não menos importante, continuar a apostar no desenvolvimento do negócio sustentável.

PERFIL

Licenciado pela universidade Agostinho Neto, Ruben N’Dombasi, natural de Luanda, tem como passatempo a leitura, a música e o desporto. Em 2000 começou a sua carreira como contabilista na empresa Deloitte. Passados três anos, foi trabalhar para a multinacional ABB em Angola como director financeiro. É professor universitário há 12 anos, das disciplinas de estatística e econometria nos cursos de Economia e Gestão.

De 2007 a 2011, exerceu a função de responsável de fiscalidade do grupo Transocean em Angola no sector de perfuração, Oil & Gás. Logo depois, entre 2011 a 2013, passou como administrador para a área técnica na Abamat, empresa de transportes rodoviários no Ministério dos Transportes. Em 2013 foi nomeado presidente do conselho de administração da Unicargas, onde permanece até à presente data. Ainda, em 2013, recebeu a pós- graduação em gestão de empresas, na nova Business School/ ENAD.

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