Afectada pela falta de cambiais no mercado, a Fazenda Jamba continua a realizar novos investimentos. Tendo a produção baixado no ano passado, o quadro agora tende a inverter, garante Yudo Borges, revelando que agora cultivam numa área de 6 hectares que pode ser alargada para 40.

Como está a produção de morangos na sua fazenda?

yudo1A Fazenda Jamba tem uma longa tradição na produção de morangos, produzindo morangos há mais de 12 anos. Em 2016, devido à conjuntura vimos a produção diminuir significativamente já que apenas conseguimos 60 mil plantas, um número muito baixo comparado com as 400 mil plantas que já chegamos a plantar anualmente. Entretanto, com a nossa dedicação e esforço, e com as parcerias que efectuamos este ano já conseguimos plantar 300 mil, o que vai contribuir para aumentar significativamente a produção e poder fazer face à grande demanda.

A produção foi ou não afectada pela falta de cambiais no mercado interno?

A nossa actividade não foi, infelizmente, excepção. De facto, fomos muito afectados, pois a actual conjuntura económica não permite o acesso às divisas como outrora. Ora, se tivermos em consideração que necessitamos importar as plantas, provenientes da África do Sul, bem como que, para produzirmos, necessitamos adicionalmente de adquirir um conjunto de consumíveis tais como adubos específicos, covetes plásticas, entre outros, que não há no mercado nacional, facilmente se compreende que a dificuldade verificada no acesso às divisas nos afecta com especial impacto.

Qual é a quantidade de morangos produzidos durante o ano?

A produção depende de vários factores, como o número plantas, variedades, preparação do solo, adubações correctas e inclusive das condições climáticas. Este ano, com as 300 mil plantas, temos expectativas de colher 150 toneladas.

Como é que o mercado absorve o produto (morango) que vem da Huíla, particularmente da fazenda de que é proprietário?

O acesso à rede de distribuição sempre foi uma das dificuldades que enfrentámos. Nos anos anteriores, sempre sentimos alguma dificuldade no escoamento do morango, também motivada pelo facto de muitos supermercados importarem o morango directamente do Egipto, Zimbabwe, entre outros, o que fazia uma forte concorrência ao meu produto, que era igual ou mesmo superior em termos de qualidade, provocando- me perdas consideráveis. Tal facto levou-me a procurar alternativas que me facilitassem o escoamento. Assim, além de procurar cimentar relações directas com a nova distribuição, apostei no investimento de uma polpadeira para poder processar o morango não vendido e congelá-lo. Tal permite designadamente escoar o produto para restaurantes, bares, pastelarias e discotecas.

Tem recebido incentivos do Estado para o alargamento do negócio?

Não. Nunca recebemos incentivos do Estado e desde já salientamos as grandes dificuldades que enfrentamos, nomeadamente no desalfandegamento dos bens importados. Temos sido obrigados a pagar direitos e taxas alfandegárias sobre muitos produtos, note-se, destinados à agricultura, que supostamente estão isentos de taxas, mas cuja isenção nem sempre é respeitada pela alfândega. Por exemplo, na última importação de túneis, para cobrir o morango da chuva, fui alvo de taxas como se material de construção se tratasse, pagando um valor muito alto em algo que, por decreto presidencial, beneficiaria de isenção alfandegária.

Para já, qual é a área total de cultivo?

Neste momento temo-nos 6 hectares plantados. Estava previsto plantar mais 6, só que devido a uma grande tempestade que se bateu na África do Sul e causou danos na maternidade de plantas, não foi possível fornecerem-nos as restantes plantas. Temos condições preparadas para aumentar para 40 hectares de área por ano.

Fala-se muito no incentivo à produção nacional e ao consumo de produtos nacionais. Já pensou em produzir ao ponto de sustentar a indústria de refrigerantes?

Tenho capacidade para isso, mas teria de investir numa fábrica de concentrados pois é daí que se pode fazer sumos e refrigerantes.

Quantas pessoas estão integradas no projecto?

Neste momento temos 60 mulheres nas colheitas, e mais um efectivo de 20 pessoas (regadores, motoristas, manutenção de estufas). Este número vai aumentar, naturalmente, à medida e em proporção do aumento da área cultivada. O impacto que temos a este nível na dinamização local é muito significativo.

Em termos de investimentos futuros, qual é a meta em termos de valor?

O objectivo é, no próximo ano, aumentar para 40 a área cultivada. Isto no que respeita a adubos, plantas, túneis e outros consumos, ronda EUR 1,8 milhão. No entanto, queremos também investir na produção de morango em hidroponia. Um sistema dispendioso, porém muito eficaz, para aumentar a produção, a sua eficácia e qualidade. Adicionalmente, uma maternidade, que produza as nossas próprias plantas em território nacional, vai retirar, significativamente, a pressão na necessidade de divisas para importar plantas. Penso que todo este investimento pode vir a rondar os EUR 6,8 milhões.

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