Concurso literário “Leitor do mês” incentiva gosto pela leitura aos estudantes

Concurso literário “Leitor do mês” incentiva gosto pela leitura aos estudantes

A 1.ª edição do concurso literário “Leitor do Mês”, que visa incutir o gosto pela leitura, vai distinguir quatro estudantes do 1.º e 2.º ciclo de ensino, a 30 do corrente mês, em acto a ser realizado na União dos Escritores Angolanos (UEA). O evento é promovido pela MG Eventos e Comunicação, com o apoio da Fundação Sagrada Esperança

Participam no certame oito concorrentes, que serão desafiados a ler uma obra literária de um autor angolano, durante um mês, a fim de elaborarem um breve resumo que vão apresentar diante do corpo de júri, composto por um membro da Fundação Sagrada Esperança e a docente universitária Domingas Henriques Monteiro, para avaliação.

O organizador do concurso, Manuel Ngunza, disse que a leitura de demonstração, no começo, será feita durante cinco minutos, para aferir excelência no argumento, assim como da própria leitura, o que se consubstancia em duas avaliações: da produção oral e da escrita, na vertente de interpretação.

Em seguida, durante três minutos, os concorrentes deverão fazer um comentário da sua percepção sobre a obra, processos que permitirão a escolha de quatro finalistas, entre os quais eleito o primeiro, segundo, terceiro e o quarto classificado, que receberão como prémios um conjunto de obras que compõem a Literatura Angolana.

“Falamos aqui do grau de literacia, que é a capacidade que o indivíduo tem de decifrar, descodificar e interpretar uma determinada obra. Devemos passar a olhar a leitura como uma necessidade e não como um gosto”, observou o responsável. Manuel Ngunza avançou que possuem uma lista com as obras a serem estudadas, mas que também há a prorrogativa de os concorrentes virem com outras, desde que sejam de autores angolanos. Quanto à realização de outras edições do concurso, disse que com o apoio Fundação Sagrada Esperança possuem já três edições garantidas, sendo que as próximas dependerão de outros auxílios.

Preferência do 1.º e 2.º ciclo de ensino

O público neste concurso são os estudantes 1.º e 2.º ciclo de ensino (da 7.ª até à 13.ª classe). O organizador do evento disse que tiveram como preferência estudantes destas classes, o que permitirá saber o status do ensino no país. Realçou que o concurso possui um carácter científico, sendo que os dados recolhidos no acto de inscrição, onde os concorrentes preenchem um inquérito sobre a questão da leitura, possui um conjunto de informações que a posterior vão constar do inquérito a ser apresentado na 3.ª edição, que vai abranger a província de Luanda.

Sobre o número de concorrentes, que se considera reduzido, disse que, em função do carácter científico que o concurso tem, teve de ser delimitado quanto ao público, para melhor percepção sobre a qualidade de ensino no país.

“Pretende dar maior credibilidade e rigor ao concurso com estes participantes para melhor avaliação. Provavelmente, vamos anexar a uma proposta de um plano nacional de leitura, a ser apresentada às entidades governamentais. Na verdade, já temos tudo preparado, falta apenas o inquérito, onde, de forma resumida, vamos procurar saber aquilo que é a prática da leitura dos estudantes”, enfatizou.

Referiu ainda que o 1.º ciclo de ensino “é a base, bem como o 2.º. Assim poderemos identificar os problemas que estão na base, para melhor compreender os estudantes que frequentam o ensino superior. Então, foi neste sentido que pensamos que tinham de ser este dois ciclos”, sublinhou.

A docente universitária Domingas Henriques Monteiro, membro do corpo de júri, acha o concurso pertinente, pelo facto de poder ajudar os estudantes, além de melhorarem a leitura, fazerem uma boa interpretação.“Projectos como este são sempre bem-vindos, visto que ainda temos lacunas no que diz respeito à leitura efectiva, tanto nas escolas, igrejas e na sociedade em geral.

Temos de ter a capacidade de interpretar, de falar com propriedade sobre aquilo que nós lemos e também com competência. Então, essa iniciativa vai ajudar a todos os concorrentes a permanecerem na leitura”, sustentou.

Sobre o processo de avaliação dos candidatos, a produção oral e a escrita, disse ser necessário para se saber o quanto eles compreenderam as obras, de modo a possibilitar a elevação da intelectualidade. “Quando nós lemos e conseguimos interpretar e explicar o livro, automaticamente, muda o nível de intelectualizadade”, rematou.