Casos de pedofilia e fuga à paternidade narrado no filme “3 em 1”

Casos de pedofilia e fuga à paternidade narrado no filme “3 em 1”

A curta-metragem “3 em 1”, que leva ao rubro questões relacionadas com a pedofilia e a fuga à paternidade, do realizador angolano António Correia “Fofartes”, estreia a 17 do corrente mês, com sessão dupla a partir das 19 horas, no Cine Atlântico, em Luanda

A produção do filme finalizada em Julho do ano em curso, com um elenco composto por Arcanjo Paulo, Caiene Paulo, Pauliana Paulo, Jay Cahanda, Roger Mendes, Orlando Quissaqui, Nelma Nunes, Gizela Piedade, Sandro Fernandes, de forma cativante e emocional retrata os desafios relacionados aos assuntos referenciados, incluindo a exploração de menores.

O drama conta a história de um menino de 12 anos, catador de lixo, ferros e outros objectos, para o sustento da mãe e duas irmãs. Tudo muda quando descobre que a sua irmã de 10 anos é abusada sexualmente pelo senhor Heitor, amigo da família.

O realizador António Correia avançou ao jornal OPAÍS que a obra é inspirada nos últimos acontecimentos ocorridos na sociedade angolana, no acentuado “nível de maldade” sobre as crianças e adolescentes, tanto como a fuga à paternidade e a exploração de menores. “O filme foi inspirado nas vivências do nosso povo, através de uma sopa solidária.

Notei que cada criança que está na rua, para além das histórias comoventes que relatam, há uma história de luta e resistência à sobrevivência. Então, veio a ideia de contar essa história no grande ecrã”, disse o realizador.

Com esta obra que começou a ser escrita no ano passado, o autor pretende fazer uma chamada de atenção à sociedade, visto que retrata diferentes situações recorrentes no dia-a-dia de muitas famílias angolanas. “Estamos expectantes com a estreia do filme, para poder ver e ouvir a reacção do público, em particular dos críticos, como resultado deste trabalho que foi feito com muito amor”, enaltece.

Digressão do filme

Com a intenção de expandir o seu trabalho a nível internacional, no que toca à primeira apresentação da obra, o realizador que trabalha na área há vários anos, disse que escolheu o Cine Atlântico por ser a “catedral do cinema nacional”, e também como forma de estar mais próximo do público. Para maior divulgação, prevê- se a sua digressão no interior do país, e, posteriormente, levar esta produção cinematográfica nacional para estrear no Brasil, Portugal e Moçambique.

Segundo Fofartes, a futura exibição da película nestes países deve-se ao trabalho que tem feito em prol da cultura nacional, em particular do cinema, como formas de criar links com estes Estados. Desta feita, o realizador acredita que com esta intenção poderá facilitar o intercâmbio cultural entre os países, no sentido de proporcionar maior divulgação do cinema nacional, que neste momento observa estar a romper barreiras e alcançar outros horizontes.

Desafios na produção do filme

De acordo com o cineasta, sobre os desafios na produção do filme, a equipa cinematográfica enfrentou as mesmas dificuldades vivi- das em qualquer produção realizada ao nível do país, que começam com a falta de investidores, maquinaria necessária e, acima de tudo, proporcionar melhores condições aos actores que vivem os personagens.

Apesar desta dificuldade que encara como desafios, disse já haver um grande avanço na produção cinematográfica nacional, mas “que agora se tem apostado fortemente nos projectos que vão a exibição”. “Para mim é muito gratificante sentir a emoção ao ver salas de cinema lotadas com a nossa ficção. Isso também faz com que nós, os produtores, tenhamos mais responsabilidade para dar o melhor produto aos nossos consumidores e, com isso, atrair o empresariado privado e não só”, justificou.