Crenças e criações realçadas no livro “A arte rupestre em Angola” de Manuel Gutierrez

Crenças e criações realçadas  no livro “A arte rupestre em Angola” de Manuel Gutierrez

O professor arqueólogo francês, Manuel Gutierrez, lançou ontem o livro “A arte rupestre em Angola – entre mitos, crenças e criações artísticas”, um contributo para a história da cultura angolana, no Palácio de Ferro, em Luanda

A obra constituída descreve, de forma ampla, os aspectos que vão desde a arte rupestre angolana, suas estações, origem e seus autores, que constituem a história da ancestralidade, que o leitor poderá desfrutar neste livro bilíngue constituída por mais de 100 páginas, dividido em três capítulos.

Neste trabalho, Manuel Gutierrez destaca diversos locais de arte rupestre de Angola, exaltando a riqueza patrimonial e aludindo à atenção para a necessidade de uma gestão sustentável, com trabalhos de investigação, conservação e valorização, considerados fundamentais para a sua transmissão para as gerações actuais e futuras.

Segundo o autor, trata-se de uma contribuição para história da cultura angolana, apresentadas através das pinturas e gravuras ligadas às crenças, religião e criações artísticas da arte da escrita, e das interpretações que formam a arte rupestre angolana “Este é um livro que trata da arte rupestre de uma parte de Angola, entre pinturas e gravuras, uma recolha de estações, entre crenças e criações artísticas, um simbolismo ancestral do povo, que representava a religião e a origem desta arte ancestral”, disse o autor ao jornal OPAÍS.

Com mais de seis livros publicados, nesta obra Manuel Gutierrez aborda ainda este resultado da cultura rupestre, marcados pelos trabalhistas e religiosos que não conhecendo a história africana, tinham um olhar europeu sobre a África.

Um olhar que, segundo o autor, era feito de forma pejorativa, pela maneira e forma de como os africanos desenhavam a escrita e a arte, o que era contrário para os colonialistas, negando a cultura e a religião africana.

Para maior abrangência da referida obra, o historiador pretende ainda apresentá-la na província de Benguela e, posteriormente, no Namibe para promover, nacionalmente, o desenvolvimento da ancestralidade cultural de Angola.

Contributo na elevação da história do país

Presente no acto de lançamento, o director adjunto do Instituto Nacional do Património Cultural (INPC), Manuel Caboco, frisou que o trabalho é mais um contributo para a elevação da história de Angola, uma vez que o autor vem há mais de duas décadas trabalhando sobre os estudos e pesquisas das estações das artes rupestres do país.

Depois de ter feito uma breve leitura sobre a mesma, Manuel Caboco referiu que o trabalho faz uma descrição relativamente à tipologia e à interpretação de vários sítios e figuras rupestres que se encontram no país.

Não obstante, acredita que a arte rupestre e a arqueologia pré-histórica fornecem importantes dados relativos à história e memória de um povo, de lugares de relevantes contributos para a historiografia angolana.

“Esta é uma matéria de extrema importância, com disciplinas relacionadas com a história e a antropologia, e até mesmo a geografia, que cruzam importantes informações que podem enriquecer os níveis de conhecimento, com cerca de 50 lugares do país, que é um grande contributo em torno da cultura angolana”, disse o responsável.

Ainda no evento, Tô Simões, artista multidisciplinar, acredita que o livro poderá despertar uma curiosidade nos cidadãos, por abordar e mostrar informações sobre o país, que remontam Há mais de 2 milhões de anos, relacionados com a cultura e a ancestralidade angolana.

Para o artista, precisa-se de mais iniciativas como estas, que contribuem fundamentalmente para a valorização e o desenvolvimento da cultura angolana, como formas de conhecer aquilo que é a memória colectiva, a partir das informações que a obra evidencia.