‘Gigantes’ do Carnaval de Luanda exibem-se hoje na Nova Marginal de Luanda

‘Gigantes’ do Carnaval de Luanda exibem-se hoje na Nova Marginal de Luanda

Depois dos grupos da classe C e B terem desfilado no Sábado e Domingo, os 13 conjuntos da classe A vão entrar, hoje, em acção, a partir das 16 horas, em acto que encerra o desfile competitivo do Carnaval de Luanda, edição 2024, que decorre na Avenida da Nova Marginal, na Praia do Bispo

União Kazucuta do Sambizanga vai proceder à abertura do desfile competitivo, trazendo o seu estilo habitual, a kuzukuta, com uma temática que retrata a vivência nos musseques de Luanda, com a música “Fofoqueira” da autoria de Domingos Nunes e interpretada pelo artista Zimbo.

O grupo, fundado a 6 de Abril de 1983, proveniente do distrito do Sambizanga, município de Luanda, tem na sua liderança João Ngola, comandante, Álvaro Victor, rei, e Maria Domingos, raínha.

No desfile segue-se o União Kazucuta, proveniente do município de Cazenga, que fará uma homenagem à segunda maior cadeia televisiva de Angola, a TV Zimbo, que recentemente celebrou 15 anos de existência.

O conjunto, que tem por comandante Lucas Manuel, rei António Paulo e raínha Rosa Constantino, vai apresentar também o estilo “kazucuta” com a temática musical “TV Zimbo”, destacando o contributo daquela estação televisiva, até então pertencente ao Grupo Media Nova, na promoção da cultura e cidadania.

Em cena, entra também o grupo carnavalesco União Juventude do Kapalanga, proveniente do município de Viana, fundada a 14 de Abril de 2010, que apresentará a temática “Xicola ulonga ufunu”, de estilo “kazucuta”, da autoria de Eugénio Filipe Monzo, na voz de Miller Mulele.

União os Petrolíferos, oriundo do município do Cazenga, se fará representar com o estilo semba, apresentando a música “Falta de amor ao próximo”, uma canção que apela a maior solidariedade e humanismo no seio da sociedade angolana, em particular a luandense, de autoria de Samuel Jango, e interpretada por Márcia Maya.

Liderado por Tomás Lisboa (comandante), Sérgio Fula (rei) e Luísa Issengue (raínha), o conjunto de um dos municípios mais populosos de Luanda foi fundado a 8 de Janeiro de 1988 e apresenta-se como um dos candidatos favoritos ao título dado o seu histórico, a sua resiliência e performance nas actuações, tendo o semba como a sua “identidade”.

Nas actuações de amanhã, os destaques recaem ainda para o conjunto União Operário Kabokomeu, do distrito do Sambizanga que com a canção “Ho uhaxi” (doença, em português), de estilo kazucuta, contam com a participação de cidadãos turistas, vindos de outros países. Entre os foliões, desta vez no carnaval de Luanda, a cidadã portuguesa Filipa junta-se ao Kabokomeu, do bairro do Sambizanga, para apresentar-se nesta pista.

Segundo a cidadã portuguesa, esta é a terceira vez que desfila no Carnaval de Luanda, tudo com a intenção de conhecer melhor os ritmos e os passos de danças dominados pelos vários grupos no evento.

A par destes, entram em cena amanhã outros grupos da classe principal, nomeadamente União Amazonas do Prenda, União Njinga Mbande, União Povo da Quiçama, União Kiela, União Sagrada Esperança, União Jovens da Cacimba, União Mundo da Ilha.

O União Recreativo Kilamba, detentor do trofeu na edição passada, 2023, vai procurar revalidar o titulo com a sua apresentação que vai encerrar o desfile competitivo.

Grupos da Classe B em disputa renhida para a ascenção

Numa disputa renhida entre grupos, cada um procurou, na medida do possível, mostrar aos foliões e ao corpo de jurado as suas habilidades e o que de melhor preparou em termos de criações, no domínio da dança, na alegoria, na indumentária e nos adereços, para que conste entre os três primeiros classificados, ascendentes à Classe A.

Apesar do sol abrasador e do calor intenso que se fazia sentir no local, muitos foram os foliões que não se fizeram esperar e aos poucos, foram tomando os seus lugares nas bancadas e noutros espaços reservados ao público espectador, para assistir ao show da maior festa popular, o carnaval, torcendo para o seu grupo favorito, integrando assim algumas das suas falanges de apoio.

Devido ao intenso calor que se fazia sentir no recinto, a equipa de apoio à Comissão Organizadora do Carnaval de Luanda viu-se forçada a realizar sessões de arrefecimento do tapete asfáltico borrifando-o, para que os grupos seleccionados pudessem desfilar sem qualquer anomalia ou impedimento.

Enquanto isso, nos bastidores, as equipas técnicas procediam aos últimos detalhes ao nível do som, de luzes e ambiente, enquanto os grupos perfilados aprimoravam as suas técnicas, executando os toques decisivos para a competição.

Eram precisamente 16 horas e 45 minutos, aproximava-se à pista o União Jovens do Cassequel do Imbondeiro da Maianga, o primeiro grupo da ordem, sob o comando de Osvaldo Pimentel.

Debaixo do sol intenso, o grupo exibia-se de forma com a canção e dança Semba, uma interpretação do músico Tony do Fumo Jr., homenageando o Mestre Kituxi.

Numa interacção com o público a partir das bancadas, o grupo exibia uma indumentária típica a que que foi habituando os foliões, chegando a arrebatar destes inúmeros aplausos.

Não menos importante foi a alegoria deste grupo, que não chegou a fazer-se à pista por questões técnicas.

A mesma ficou presa junto ao Hotel Avenida, mas será alvo de uma avaliação do júri.

Com a expectativa à volta de ocupar os três lugares cimeiros, cada um dos grupos representados nesta edição mostrou o esforço que tem empreendido para se manter, representando o seu município e o carnaval de Luanda, não importando as dificuldades por que passam.

Seguindo o alinhamento, o segundo grupo seguiu-se pouco depois de baixar a temperatura ambiente, numa ampla consciência com o carregar e escurecer das nuvens que fizeram cair alguns pingos de chuva que deixaram o público e as equipas em serviço preocupadas.

O espectáculo prosseguiu com os demais grupos, uns debaixo do aguaceiro e outros nem tanto até ao fim.

Refira-se que devido às dificuldades de logística de ordem financeira, alguns grupos tiveram que recorrer aos seus guarda-fatos para reutilizar as anteriores indumentárias.

Homenagens e temáticas cativantes marcam desfile

Ontem, os desfiles dos grupos da classe-B ficaram marcados pelo espírito de entrega e competitividade com que os conjuntos se apresentavam, bem como uma série de homenagens e temáticas cativantes.

Naquele que foi o segundo dia e penúltimo do desfile do carnaval de Luanda, 13 grupos exibiram as suas danças e trajes, mostrando o seu potencial cultural, artístico e criativo num espectáculo que teve mais de quatro horas de duração.

A abrir a tarde de desfile, o grupo União Jovens do Cassequel do Imbondeiro “brindou” o público com uma singela homenagem ao artista e instrumentista António Kituxe, popularmente conhecido por “cota Kituxi”, pelo seu imensurável contributo em prol da promoção e valorização dos instrumentos musicais tradicionais que são muito usados na produção dos ritmos carnavalescos.

O grupo apresentou uma temática musical de estilo Semba que destaca a vida e obra do mestre Kituxi, uma iniciativa que arrancou aplausos e fortes elogios tanto do público geral quanto do corpo de jurado.

Em declarações a OPAIS, o comandante daquele grupo, Osvaldo Pimentel, disse que a homenagem é o reconhecimento do elevado contributo que aquela figura artística tem dado pela preservação dos instrumentos musicais tradicionais e não só, frisando tratar-se de um indivíduo que inspirou e continua a inspirar vários grupos carnavalescos com os seus ensinamentos e instrumentais.

“É uma lenda da música tradicional, é para nós uma honra fazermos esta homenagem que já estava mais que na hora, porque o kota Kituxi já fez muito pela nossa música tradicional, principalmente para nós os grupos de carnaval que sempre usamos estes ritmos nas nossas criações musicais.

Não tem como não homenagearmos esta grande figura”, destacou o jovem que liderou o grupo na posta de dança.

Com o tema “Vavó”, o grupo União Geração Sagrada do município de Viana desfilou o seu semba na pista da Praia do Bispo, marcando a sua presença na presente edição do carnaval de Luanda, acompanhada de uma presença massiva do seu público que não parava de torcer pelo colectivo.

A terceira exibição coube à União Mundo Real, do município de Cacuaco, que apresentou o tema “Dizumba dya mbijy”, de autoria de de Pombinha e interpretado por Nuna Paím. Já a quarta exibição teve a cargo do grupo União Geração do Mar que apresentou a temática “Não à violência doméstica e ao abuso sexual contra menores”.

A canção, segundo o comandante do grupo, Pedro Moniz, visou repreender todo e qualquer tipo de violência doméstica e, fundamentalmente, os abusos contra menores, incentivando a sociedade a denunciar tais práticas e as autoridades competentes a combaterem os respectivos crimes a todos os níveis.

“Nós queremos desencorajar as famílias de praticarem estes actos e a denunciarem sempre que estas situações aconteçam no seio familiar.

As autoridades devem também apertar mais nas sanções destes crimes, principalmente os abusos contra menores que tem sido um crime que vai ganhando cada vez mais espaço na sociedade de Luanda”, apelou o responsável.

A noite foi encerrada com a actuação do grupo União 54 que entrou em campo por volta das 21 horas, apresentou o tema sobre a “Preservação do meio ambiente”, escrita por Acácio Bambes e interpretada por Dj Doks, no estilo Semba.

 

Por: Augusto Nunes e Bernardo Pires