Pensamento cultural e estruturante de “Neto” analisado em conferência

Pensamento cultural e estruturante de “Neto” analisado em conferência

Com a sala repleta de participantes, muitos deles transeuntes, atraídos pelos dísticos afixados no exterior do edifício, cada prelector, na sua forma peculiar, procurava disseminar os temas a todos os níveis, de modo a fazer chegar a sua mensagem da melhor forma, um exercício que, pelo impacto e receptividade, se transformou numa aula magna

A pouco menos de 11 dias da grande celebração do Centenário Natalício de António Agostinho Neto, o Poeta Maior, médico e Primeiro Presidente de Angola, a 17 deste mês, cuja jornada comemorativa prossegue em todo o país, actores culturais reforçam as suas actividades para dar maior sustentação aos festejos.

Neste âmbito, a direcção da Liga Angolana de Amizade e Solidariedade com os Povos (LAASP), em Luanda, juntou-se à celebração com o colóquio, visando reflectir em torno da “Vida e Obra” de Neto, num evento que congregou artistas de várias manifestações culturais, escritores, estudiosos, diplomatas, sócios da LAASP, políticos, amigos e contemporâneos de Agostinho Neto.

Com a sala repleta de participantes, muitos deles transeuntes, atraídos pelos dísticos afixados no exterior do edifício, cada prelector, na sua forma peculiar, procurava disseminar os temas a todos os níveis, de modo a fazer chegar a sua mensagem da melhor forma, um exercício que, pelo impacto e receptividade, se transformou numa aula magna.

Para dar ainda mais força anímica e de forma académica, o docente universitário António Quino juntava-se ao painel com o tema proposto pela organização. Mas, pelo escasso tempo que se dispunha, por orientações do moderador, o professor limitou-se em falar apenas da relação da Poesia de Neto, com o texto da proclamação da Independência Nacional, realçando a caracterização da Pátria Angolana.

Solidariedade vs Justiça social

Para António Quino, Agostinho Neto, conforme podemos observar no seu poemário e no discurso da proclamação da independência, o sentido de pátria angolana deve obedecer a dois princípios básicos: o primeiro a solidariedade e segundo a justiça social.

De acordo com António Quino, esses dois princípios harmonizam as relações humanas, conforme o funcionamento das comunidades africanas e uma maior harmonização no bem-estar comum, entre todos os angolanos.

Pelo alinhamento nas abordagens, juntava-se ao painel o também docente universitário Benjamim Fernando, com o tema “O Pensamento Cultural e Estruturante de António Agostinho Neto”.

Um aprazível exercício pela honra de se tentar descodificar o conjunto de conhecimentos adquiridos por Agostinho Neto, as experiências por si adquiridas e que permitiram o enriquecimento do seu espírito, bem como o desenvolvimento das suas capacidades intelectuais.

Um aprazível exercício, que segundo o professor, pode levar-nos a “Atingir o Zero”, visto que foi possível gorar as expectativas do público que os honrou com a sua presença, e, para provocar um debate mais amplo, colocou os seus conhecimentos à prova.

O professor admitiu que é com muito prazer e de forma honrosa, que se submetem à referida prova, visto que falar de Neto é falar de Angola, enquanto pátria, é falar de liberdade, de solidariedade, de humanismo, de arte numa das suas formas mais sublimes, a literatura.

Benjamim Fernando admitiu ainda que falar de Neto é falar do orgulho de se ser angolano, sem as máculas que nos envergonharam durante décadas, com o prazer dos morticínios fratricidas.

Iniciativa enaltecida

Por sua vez, o director do Gabinete Provincial da Cultura Turismo e Desporto de Luanda, Manuel Gonçalves, em representação da governadora, Ana Paula de Carvalho, enalteceu os esforços endividados pela LAASP para a realização da tão importante conferência, considerando a dimensão multifacética do homenageado, o Poeta Maior, médico e fundador da Nação.

“Saudamos a LAASP, por essa iniciativa enquadrada nas jornadas de celebração do Centenário de Agostinho Neto, filho ilustre de Icolo e Bengo, engajado combatente pela liberdade do seu povo e de todos os africanos, celebrizando o seu pensamento de solidariedade com a máxima “Angola é e será por vontade própria, trincheira firme da revolução em África”, disse.