“Traços de Luanda”-um casamento entre Arte Plástica e Arquitectura

“Traços de Luanda”-um casamento entre Arte Plástica e Arquitectura

POR: Adjelson Coimbra

Trata-se de Ibrahim Carlos e Zola Daniel, ambos estudantes de Arquitectura na Universidade Agostinho Neto, que abraçaram a ideia de brindar a cidade capital com uma exposição. Esta obra é nada mais do que a representação gráfica de 15 edifícios da cidade de Luanda, esboçados em marcador sobre tela, que totalizam 16 quadros. Foram representados alguns edifícios como o BNA, BPC, Mabílio Albuquerque, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, Igreja do Carmo, a Igreja da Sagrada Família, o Museu da Escravatura e a casa dos pais de António Agostinho Neto.

Esta exposição centra-se em valorizar o património cultural e arquitectónico de Luanda e levar a sociedade a uma reflexão sobre o património histórico da cidade, promovendo a sua protecção. Ao organizá-la, os artistas pretendiam estimular o entusiasmo pelo conhecimento do património edificado da cidade e sua gente, servindo como uma ponte entre o seu passado, presente e futuro, bem como, contribuir para o desenhar de um futuro sustentável, através da arte e inovação pela criatividade.

“Uma experiência única”

Zola Jeremias, de 25 anos e director artístico deste projecto, contou ser uma experiência muito interessante, uma vez que, ao mesmo tempo, foi uma grande oportunidade para ele como artista. “Essa exposição foi muito diferente das outras em que participei, porque a técnica que nós usamos para a representação dos quadros foi algo completamente diferente do que é visto”, frisou. Já Ibrahim Carlos, de 21 anos, o mais novo, confessou-se surpreendido aquando do convite e diz que desde a execução do trabalho que tudo tem corrido bem. O dia da exposição foi tão esperado que quando chegou pareceu surreal, porque tem estado cheio e as pessoas até agora estão a gostar.

É muito gratificante ver os nossos trabalhos a serem consumidos. Quanto à representação de apenas 15 edifícios, adiantou que nas próximas edições serão representados outros edifícios. “E pensamos que uma obra é única, não dá para repetir. O que nós queremos é que as pessoas olhem para a cidade com olhos diferentes, de um modo mais crítico e reservado”, disse. De acordo com o jovem artista, muitos de nós desvalorizamos a nossa arquitectura, mas quando vamos para os outros continentes ficamos admirados com a forma, com a beleza arquitectónica. “Fizemos algo que identifique a cidade de Luanda, por mais que esteja na tela, saberemos que é a cidade de Luanda. Esses edifícios, de alguma forma, retratam a nossa história”, ressaltou.

Técnicas usadas

Segundo Ibrahim, as obras estavam muito mecanizadas, pareciam mais arquitectónicas do que artísticas. No entanto, para atribuir- lhe vivacidade foi necessário usar a gráfica arquitectural, uma forma de desenhar com representações artísticas que se desdobram em linhas, traços, pontos e, inclusive, o uso de figuras geométricas. Também foi usada a técnica caracterizada pelo esboço de traços quase que imperceptíveis, que os artistas chamam de “Shuashualismo”.