Venda de jogadores não rentabiliza Escola “Ti Nandinho”

Venda de jogadores não rentabiliza Escola “Ti Nandinho”

Fundada a 05 de Novembro de 2010, a Escola de Futebol do Zango (EFZ) ficou conhecida pelos amantes do futebol nacional por dispor de enorme “fertilidade” na descoberta de talentos. Produziu jogadores como Hermenegildo Sengue “Picas”, que milita no Torreense de Portugal, Loide Augusto (Mafra de Portugal) e André Alexandre “Andeloy” (Recreativo do Libolo). Em declarações a este jornal, o líder do espaço, Armando da Costa “Ti Nandinho”, fez questão de alertar que a academia não encaixou um cêntimo sequer com as saídas daqueles atletas

A caminho de 13 anos de existência, a Escola de Futebol do Zango, localizada no município de Viana, na capital do país, tem vindo a lançar muitos jogadores para o mercado nacional e internacional. Verdadeiramente, a academia tem sido «fértil» na descoberta de joga- dores talentosos com elevada margem de progressão. Mas, os resultados, nos últimos doze anos, não foram animadores.

Conforme avançou a este jornal, o treinador e proprietário do espaço, Armando da Costa “Ti Nandinho”, a academia não terá encaixado nenhum ordenado com as saídas de Picas, Loide e Andeloy. O dirigente reconheceu mesmo ter cometido um erro tremendo por ter cedido os seus jogadores para outras equipas a título definitivo sem que tivesse recebido um valor monetário como bônus.

Armando da Costa sente-se arre- pendido por não ter encaixado sequer um cêntimo com a perda daqueles jogadores, sustentando que tal situação terá agudizado os problemas financeiros da academia. Referiu que o seu elenco tem custeado as despesas do recinto com dinheiro do próprio bolso. Adicionalmente, o responsável não tem dúvidas de que se o seu grupo de trabalho tivesse beneficiado com as saídas dos atletas referenciados, a realidade hoje da academia seria diferente, na medida em que a ida de Picas terá rendido milhões à direcção do Petro de Luanda, sem descurar as verbas encaixadas pelo Sporting de Portugal com a transferência de Loide para o Torreense.

Instado a justificar as razões que lhe terão levado a tomar esta decisão, o dirigente fez questão de assinalar que, na altura, não passava pela sua cabeça formar jogadores para depois colher resultados financeiros. Armando da Costa acrescentou que o seu elenco tinha como pretensão ocupar os tempos livres das crianças e adolescentes, conferindo-lhes o gosto pelo «desporto-rei», e, por conseguinte, livrando-lhes do mundo da criminalidade, dado que o município de Viana é propenso em casos de assaltos à mão armada, assim como mortes.

O responsável disse ainda que, agora, dispõe de maior cautela, tendo sublinhado que não voltará a cometer os erros do passado, por for- ma a tornar a sua academia numa referência no panorama futebolístico angolano. Doravante, alertou, os jogadores só sairão da academia no caso de algum clube pagar pelas respectivas transferências. “Tomámos decisões que não foram correctas. Verdadeiramente, na altura, não pensáva- mos em dinheiro. Criámos o projecto sem fins lucrativos”, explicou, alertando que, “como deve reparar, é com os erros que se aprende. Agora, estou mais cauteloso”. “Os nossos jogadores só sairão, doravante, se houver um clube que pague pela sua transferência”, sentenciou.

do Sengue “Picas”. O avançado, de 22 anos de idade, trocou a Escola do Zango pelo Petro de Luanda, de Alexandre Santos, isto é, em 2017, a custo zero, tendo seguido depois para a segunda divisão portuguesa. O atleta, considerado, na altura, como um dos jogadores mais promissores do futebol angolano, começou a dar os primeiros passos no futebol europeu ao serviço do Grupo Desportivo de Chaves da primeira liga portuguesa denominada “Liga Bwin”. Verdadeiramente, as suas exibições não terão convencido a equipa técnica, razão pela qual terá si- do cedido a título de empréstimo para o Juventude Pedras Salgadas do Campeonato de Portugal, clube pelo qual participou em nove jogos, tendo apontado dois golos, as sim como uma assistência. Depois de ter passado por maus bocados no GD Chaves, a passagem pelo Juventude de Pedras também não foi das melhores.

Em virtude disso, a direcção do Juventude de Pedras decidiu devolver o jogador ao Chaves. Sem qualquer hipótese no plantel, Picas voltou a ser cedi- do, desta vez, ao Sport Clube União Torreense da segunda divisão portuguesa, clube no qual tem procurado melhorar a actuação. Na presente temporada, na Liga Pro, conhecida como segunda liga, o atleta tem um registo de vinte e três jogos, assim como dois golos marcados. De acordo com o site especializado em mercado de transferências, Transfermarket, o atleta angolano está avaliado em 375 mil euros.

De realçar que o extremo termina contrato com o clube português no dia 30 de Junho de 2025. Pouco depois, ou seja, em 2018, Loide recebe uma proposta do Sporting clube de Portugal, por forma a juntar-se aos Sub-23. No clube leonino, a adaptação não foi positiva, o que lhe terá obrigado a mudar de ares. Mais tarde, foi contratado pelo Clube Desportivo Mafra, igual- mente da segunda divisão portuguesa. Ao serviço do Mafra, que figura na décima quinta posição da Liga Pro com 26 pontos, o defesa, de 23 anos, participou em quinze jogos.

Andeloy “ama” Ti- Nandinho

O avançado do Recreativo do Libolo do Cuanza-Sul, André Alexandre “Ande- loy”, de 21 anos de idade, confessou a este jornal ter imensas recordações da passagem pela Escola do Zango, que, a partir de 2022, passou a denominar-se «Academia Premier Projecto Ti Nandinho». Admitiu que o treinador e proprietário do espaço terá sido fundamental no seu crescimento profissional e pessoal. Por outro lado, o avançado fez questão de sublinhar que começou a aprender o ABC da modalidade aos 9 anos de idade. “O Tio Nandinho foi muito importante na minha vida. É, na verdade, um pai.

É confortável trabalhar com ele. Muito profissional e sabe conversar com os jogadores. É uma pessoa agradável. Um excelente formador”, começou por sublinhar. Disse ter aprendido bastante com o treina- dor, tendo acrescentado que pretende atingir outros patamares. Instado sobre a experiência no clube da vila de Calulo, Andeloy disse que tem gostado, sublinhando que tem recebido apoios dos colegas de equipa e direcção. Antes de rumar ao Recreativo do Libolo, Andeloy contou que representou as cores do Desportivo da Huíla, orientado, na altura, por Mário Soares.

“Estou a gostar muito da experiência no Libolo. Tenho recebido muito apoio dos mais velhos do plantel. Quero jogar nos campeo- natos europeus. É o foco neste momento”, disse o atleta. Nesta época, recorde-se, o atleta já realizou 14 jogos, anotando três golos. Em sentido inverso, o proprietário do espaço, Ar- mando da Costa “Ti Nandinho”, garantiu que a academia pode vir a encaixar milhões com a futura venda de Andeloy. Deixou claro que o atleta pertence à academia, pelo que terá sido cedido ao clube libolense, em 2021, a título de empréstimo, para elevar os níveis competitivos e anímicos.

“Precisamos mesmo de apoio”

O dirigente disse que a Escola do Zango tem vindo a debater- se com demasiadas dificuldades, sobretudo na vertente financeira. Tal situação, prosseguiu, tem vindo a interferir, em grande medida, na evolução dos jogadores. Armando da Costa asseverou que a academia carece de um refeitório, hospital, de bancadas, sem perder de vista um veículo com capacidade para acolher 30 a 40 lugares. Quanto às despesas inerentes à manutenção da relva, alimentação, transporte, pagamento às equipas de arbitragem e energia elétrica, salientou que o seu grupo de trabalho tem desembolsado, mensalmente, três a cinco milhões de kwanzas. “Mensalmente gastamos de 3 a 4 milhões de kwanzas. Não tem sido fácil. Precisamos mesmo de muito apoio”, disse. Recorde-se que a Escola do Zango compete no Campeonato Provincial de futebol sénior de Luanda. Entretanto, o clube do município de Viana figura na décima terceira posição com 22 pontos.