Especialistas admitem novo rumo no sector da aviação

Especialistas admitem novo rumo no sector da aviação

Assinalou-se ontem, quinta-feira, 07, o Dia Internacional da Aviação Civil, um subsector dos transportes que está em constantes mudanças tecnológicas e do ponto de vista dos seus regulamentos

As infra-estruturas de apoio ao sector da aviação civil cresceram de forma considerável no país, e o último exemplo é o novo aeroporto internacional de Luanda (NAIL). No Dia Internacional da Aviação, especialista do sector e economista dizem que Angola tem tudo para ser referência continental Numa abordagem curta, o antigo director do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, Celso Rosa, considera que o Aeroporto Dr. António Agostinho Neto é a porta de entrada que faltava para o nosso país.

Celso Rosa acrescenta que o NAIL constituirá uma razão bastante para a atracção de novas companhias aéreas para Angola. Na sua intervenção durante a tomada de posse do novo secretário de Estado para os Sectores da Aviação Civil, Marítimo e Portuário, Rui Carreira, o Presidente da República orientou uma maior atenção à aviação civil, colocando ênfase na questão da TAAG, que, segundo o estadista, precisa de voar mais alto.

Para já, a companhia aérea de bandeira tem o novo conselho de administração desde a última terça-feira, 05. Tendo dito que “nós estamos a encomendar novas aeronaves, a Boeing, mas precisamos de não descurar a necessidade de recuperar a actual frota. Nós já temos uma frota que não é nada peque- na, é grande, com alguns meios de baixa que precisam ser postos de alta, independentemente de esperarmos, nos próximos anos, receber mais meios já encomendados e anunciados”, disse o Presidente da República.

Sabe-se que repousam na Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) vários pedidos de companhias aéreas que pretendem voar para Angola, uma vez que o país passou a ter as suas portas abertas, permitindo a entrada de cidadãos de mais de 90 nacionalidades. E a isso acresce- se o facto de possuir um aeroporto novo e com maior capacidade, comparativamente ao de Luanda (centro da cidade).

O novo aeroporto internacional de Luanda, considerada a coqueluche da aviação, é a maior infra- estrutura e que reflecte os avanços do ponto de investimentos que estão a ser feitos no sector dos transportes, de maneira geral. Localizado em Bom Jesus, município de Icolo e Bengo, cerca de 42 quilómetros do centro da cidade de Luanda, ocupa uma área de 1.324 hectares, prevendo-se um fluxo anual de 15 milhões de passageiros, dos quais 10 milhões do exterior, possuindo duas pistas duplas, com capacidade para aviões do tipo B747 e A380.

A infra-estrutura possui 31 mangas, das quais 19 para os serviços internacionais e 11 para os domésticos, nove tapetes rolantes para o depósito de bagagem, seis deles para voos internacionais, 26 balcões de migração, um parque de estacionamento para 1.650 viaturas, espaço para lojas, numa área de 1.825 metros quadrados, acesso ferroviário, com uma linha férrea de 56 quilómetros, e um comboio ex- press. 30 mil toneladas por ano vão passar pelo NAIL. As transformações em curso no sector permitiram que o Instituto Nacional da Aviação Civil (INA- VIC), passasse a ANAC, com autonomia nos seus procedimentos de fiscalização das empresas que operam no sector.

Além disso, a ENANA foi extinta, tendo sido criados dois entes, designadamente a Sociedade Gestora de Aeroportos (SGA), responsáveis pela gestão de toda a rede aeroportuária nacional, e a Empresa Nacional de Navegação Aérea (ENNA), provedora de serviços de gestação e controlo da navegação aérea, bem como de comunicações aeronáuticas. Em 1996, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou que 7 de Dezembro seria o Dia Internacional da Aviação Civil. O dia é comemorado pela Organização da Aviação Civil Internacional desde 7 de Dezembro de 1994, o 50.º aniversário da assinatura da Convenção sobre Aviação Civil Internacional.

“Muitos aviões podem escalar Luanda para abastecer”

Para o economista Paulo dos Santos, o subsector da aviação civil tem crescido muito e Angola persegue um novo rumo económico e social que o coloca perante desafios internacionais, encontrando na aviação um factor de garantia do sucesso da sua afirmação como potência regional, africana e mundial. “Nos últimos 15 anos, o subsector da aviação beneficiou de novas infra-estruturas em várias províncias, incluindo terminais de passageiros e pistas de aterrizagem, a aquisição de novos aviões para renovação da frota, possibilitando a abertura de novas escalas domésticas e internacionais”, enumerou.

Acrescenta que a “desnecessidade” de visto de pré-embarque para mais de metade dos países no mundo abre portas para entrada de pessoas interessadas em visitar, pesquisar ou investir no país, colocando verdadeiros desafios às autoridades angolanas. O economista refere ainda que a inauguração do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto (AIAAN) trouxe diversas valias, desde a infra-estrutura aeroportuária de qualidade internacional com espaço para aterragem de mais aeronaves e maior conforto para os passageiros, uma nova linha férrea e o respectivo metro de superfície, milhares de empregos directos e indirectos.

“Sendo Angola uma potência petrolífera mundial, com a entrada em funcionamento das refinarias em construção, e comercialização do combustível para aviação a preços abaixo do mercado, pode-se esperar que muitos aviões escalem Luanda e a tornem no seu ponto de abastecimento preferencial, trazendo consigo passageiros que beneficiarão de bilhetes com tarifas especiais, incluindo turistas e investidores”, vaticinou.

A indústria de aviação traz consigo outras indústrias

Técnico reformado de gestão da aviação Emílio Romão entende que num mundo cada vez mais globalizado, onde a agilidade e as mudanças rápidas são uma constante, a indústria da aviação, e especificamente o transporte aéreo comercial de passageiros, contribui de forma efectiva e decisiva para este desenvolvimento directo e indirecto, através da criação de oportunidades para o surgimento de novas empresas.

Emílio Romão diz que a indústria de aviação traz consigo outras indústrias que dependem da deslocação de pessoas, seja em lazer ou em trabalho, como é o caso de empresas de aluguer de automóveis, hotéis e turismo e inclusive a desconcentração populacional em determinados círculos provinciais. “Os mercados e os consumidores seguem e ditam as tendências, oportunidades e inovações, configuradas ao nível tecnológico, de produto e serviço, bem como do próprio modelo de negócio”, disse. Por sua vez, acrescenta o técnico, os consumidores estarão cada vez mais informados e atentos, resultado da maior facilidade de acesso à informação através de novas tecnologias de informação que se oferecerem na base de comunicações mais rápidas e eficazes.

“Os desafios colocados actualmente à indústria de aviação civil, e consequentemente às companhias aéreas, são muitos e de grande dimensão. A expectativa em relação à evolução tecnológica nesta indústria, cujo desenvolvimento e evolução estão directamente ligados à mesma, é fenomenal, sendo que crescerá, seguramente, a generalização no que respeita às viagens de avião”, admitiu. Em face disso, refere que tem de haver um equilíbrio entre os vários factores condicionantes.

O preço do petróleo e/ou combustível, o preço das passagens e a terciarização de alguns aeroportos de menor concorrência, suscitarão a diferenciação da qualidade e eficiência dos serviços prestados e paralelamente das companhias aéreas e todos os intervenientes na cadeia dos serviços da aviação.