“Estamos a exportar com regularidade chá de Angola para os estados unidos da América”

“Estamos a exportar com regularidade chá de Angola para os estados unidos da América”

Em face de modernização para fazer face aos desafios impostos pelas novas tecnologias, que ameaçam fazer desaparecer os tradicionais serviços, a empresa Correios de Angola vive momentos menos bons. O seu Administra- dor para as Novas Tecnologias de Informação, Otoniel Fernandes, avançou a este jornal que no período da pandemia houve muita procura, por causa do confinamento. entre- tanto, essa procura caiu em cerca de 52%, referindo-se à logística. entretanto, o chá de Angola chega aos estados uni- dos pelas “mãos” dos Correios

Olhando para os avanços tecnológicos, que permitem o envio de uma correspondência em tempo real, em diversas plataformas digitais, como caracteriza a actividade dos Correios de Angola actualmente?

Estamos numa fase que podemos considerar embrionária. Nós, enquanto instituição, tivemos um período de actividade reduzida tendo em conta o processo de modernização em curso. A nível do mundo todas as estruturas dos correios abraçaram e adaptaram-se às novas tendências. Com o comércio digital, as instituições reinventaram-se e com os correios não foi diferente. Assim que deixamos de ter simplesmente a actividade tradicional, que consiste no envio e recepção de cartas, abraçando novas dinâmicas económicas e sociais, resultando na modernização. Boa parte dos correios a nível do mundo foram forçados a fazerem grandes investimentos para acompanhar a dinâmica.

Estamos agora numa fase de estudo e de implementação de novas tecnologias. Com efeito, esta- mos a trabalhar com as referências e incentivos das organizações que coordenam o sector a nível mundial. Refiro-me à União Internacional Postal, e naquilo que são as suas linhas orientadoras e somos aconselhados a abraçar a novas tendências. Como tal, acabamos por ter orientações para o comércio eléctrico que, mesmo a nível do país, estão a tratar da legislação que vai dar suporte a nossa actividade, na linha de transformação e modernização.

Neste domínio como é que estão?

É como disse antes, estamos ainda em fase embrionária. Estamos, por exemplo, a implementar novos sistemas e a olhar para práticas de algumas actividades que os correios no mundo exercem enquanto partícipes no desenvolvimento económico e social. Estamos a tratar da legislação, ver o que é prioridade, licenciamentos e convénios com outras instituições no sentido de termos a solução bem ajustada para marcamos os mesmos passos rumo ao desenvolvimento, tal como os outros países que se encontram mais avançados neste momento.

Olha para estes desafios que se impõem hoje, como é o do avanço tecnológico, aonde fica a figura do carteiro?

Ainda temos. A figura do carteiro é aquilo que ainda representa a tradição nos correios. Existe um número de instituições que trabalham com envio e recepção de cartas, envio de material, itens com um peso não superior a dois quilogramas. E os tribunais constam da lista dos principais parceiros com os quais contamos hoje, para envios de cartas rogatórias e outros processos judiciais, isso a nível do país. Temos também alguma solicitação de pessoas singulares de forma pontual.

E as empresas?

É um número bem reduzido se tivermos em conta os avanços tecnológicos. A afluência ao nosso balcão, para os serviços tradicionais, reduziu um pouco por causa dos avanços das novas tecnologias de informação e comunicação. Nós hoje temos um número de clientes ou solicitação abaixo daquilo que recebíamos há 10 anos, mas não é apenas um problema dos Correios de Angola. É um problema mundial! Ainda temos alguns clientes que preferem os Correios.

São os casos dos bancos internacionais, que enviam cartas para outros bancos ou pessoas singulares. Temos um número considerável de correspondências que chegam do exterior para angolanos ou cidadãos que residem cá no país. Tratam-se de cartões de seguro, de crédito e correspondências bancárias. É isso que vai mantendo a nossa actividade. Mas em função das novas tecnologias vamos perdendo espaço em termos de correio tradicional. Os emails, WhatsApp, sms, são os canais mais usa- dos. Até os telexes estão no desuso.

Quanto à redução da procura, tem uma referência percentual?

Não posso precisar com alguma exatidão. Em todo o caso, arrisco dizer que hoje as frequências nos balcões devem rondar os 18%, isso em relação aos serviços de cor- reio no seu todo. Quanto ao caso especifico de cartas, deve estar na ordem de 20%. Há momentos em que os clientes frequentes têm uma demanda maior e isso faz crescer também o volume de correspondências.

E como conseguem se manter com actividade tradicional em baixa?

Como devem saber estamos também no negócio da logística. Portanto, o que mantém hoje os Correios de Angola não é o serviço tradicional. Embora tenham reduzido muito, este serviço de logística foi o que deu mais rendimentos através do envio e rececção de todo tipo de encomenda, pois era um período em que as pessoas estavam confinadas. Na fase da pandemia de Covid tivemos uma grande afluência, pois as pessoas não viajavam. Olhando para a realidade actual, posso arriscar que tivemos uma redução na ordem de 52%, face ao período de confinamento.

Então vocês têm agora muito prejuízo…

Este não é apenas um problema dos Correios de Angola, mas sim de todas as empresas que trabalharam no processo de entregas durante a pandemia. As encomendas a nível nacional também tiveram queda, mas no que se refere às internacionais tivemos um crescimento considerável. O que acontece é que hoje as pessoas voltaram a viajar, têm acesso às grandes superfícies comerciais e estão a fazer compras. Por outro lado, o comércio virtual também ajuda na compra de serviços no exterior do país. E muitos destes itens passam por nós. Sendo os Correios de Angola uma empresa pública, esta- mos a trabalhar para de forma legal entrarmos no comércio virtual e electrónico.

“Os chineses enviam alimentos (para a China), pois são apreciadores da nossa culinária”

Há muita encomenda de Angola para o exterior?

Há muita e muita mesmo. Temos servido de canal para a exportação de chá de Angola para os estados unidos da América todos os anos. Alguns países da América Latina também importam em grandes quantidades, sobretudo folhas tradicionais para infusão. Os nossos armazéns estão quase sempre cheios. Também enviamos alimentos tradicionais para ementa dos angolanos, com destaque para a europa. Os cidadãos chineses enviam também alimentos, pois são apreciadores da nossa culinária.

E qual é quantidade de chá que vocês enviam para as américas?

Não lhe posso precisar, mas temos grandes. Temos envio de chás todas as semanas. enviamos sacos de sarapilheira, com mais de 100 quilos, com frequência. Recentemente estavam nos armazéns mais de 100 sacos para serem enviados para os estados unidos. e para o envio destas mercadorias usamos as vias marítima e aérea, que é a mais frequente. mas para o negócio de logística a via privilegiada é a marítima. entretanto, para as encomendas internas usamos todas, desde a rodoviária, marítima, aérea e até ferroviária.

E o volume de mercadoria interna é considerável?

Sim. Como sabe, há muitas coisas que não são produzidas no interior do país e que têm de sair de Luanda. e do interior também sai algumas coisas ou produtos que são enviados para a capital. Por exemplo, grande parte dos chás que exportamos vem do interior, pois Luanda não tem capacidade de produção para exportar grandes quantidades.