loader

Corrupção considerada um mal para o país

O Ministério da Construção e Obras Públicas realizou ontem, em Luanda, uma palestra sob o tema “a corrupção na função pública: um mal a combater”, na perspectiva de desencorajar a sua prática entre os seus agentes

Por: Maria Custódia

O procurador-geral adjunto da República, Luís Mota Liz (na foto), elegeu a corrupção como sendo o maior mal, depois da guerra, que um país tem, e apontou como medidas de combatê-la as campanhas de sensibilização, a prevenção, a inspecção sectorial, a educação cívica e uma lei forte. Referiu que para garantir melhores condições de vida à população é necessário combater a corrupção, por ser um mal que afecta a todos.

Considerou que o grande problema da corrupção é ser um crime sem vítima visível e sem denúncia, porque muitas vezes as partes envolvidas não aceitam entregar-se. Para si, a corrupção acarreta muitos males, desde o dinheiro desviado que serviria para a compra de medicamentos para os hospitais.

Disse ainda que, devido a este fenómeno, muitas vidas acabarão por se perder, as estradas ficarão mal feitas, os professores viverão da “gasosa” para os alunos passarem de classe e continuará o crime do “colarinho branco” e os enfermeiros que cobram para tratar bem os pacientes, e que estes e outros casos devem prestar contas à lei.

“Se o ser humano não estiver estruturalmente preparado para saber distinguir o eu e o nós, e que a realização do eu não deve necessariamente prejudicar o nós, haverá sempre corrupção”, elucidou, no âmbito da palestra realizada no Laboratório de Engenharia, sob o tema: “A corrupção na função pública, um mal a combater”. Acrescentou que, segundo a Lei da Probidade Pública, os agentes públicos estão proibidos de receber ofertas no exercício das suas funções.

“Para garantir que os funcionários estejam protegidos temos de criar valores éticos e morais para saber dizer não”, rematou. Referiu que o termo corrupção não é positivo, mas traduz uma ideia de negatividade, podridão e desvio.

Acrescentou que ao manifestar- se, a corrupção pode ser activa, passiva, própria e imprópria. Fazendo história, disse que anteriormente as pessoas poderiam ser mortas por crimes de corrupção. Reconheceu que os salários “pobres” constituem uma das causas da corrupção, visto que o aspecto salarial afecta a qualidade de vida dos funcionários.

Frisou ainda que a reforma salarial é um factor, porém, o país encontra- se numa fase vulnerável. Por fim, apelou aos funcionários das obras públicas a não colocarem os interesses pessoais nos contratos públicos em nome do Estado, tendo alertado que existe uma pena de cinco anos ou mais, de cadeia, para casos do género.

Últimas Notícias