Editorial: Transições

Angola tem um novo Governo, embora do mesmo partido. Tem um novo estilo de governação, novas exigências, nova velocidade, novo foco.

A moralização dos servidores públicos, o combate à corrupção, à burocracia excessiva e aos empecilhos ao investimento tem, como seria de esperar, alguns adversários, ou por posicionamento no outro lado da barricada em defesa de interesses próprios, ou por incompreensões quanto à realidade do país, ou mesmo quanto aos métodos e seus efeitos futuros.

Não se espere que seja pacífico, ainda que por meras discordâncias sobre os métodos. É próprio de um processo de mudança de Governo. Porém, sendo o MPLA o partido que governa e estando ele próprio num processo também de alterações que o levarão a uma transição, também, no seu seio, estas discrepâncias se fazem notar.

O MPLA está claramente a viver um momento de debate interno que poderá resultar no surgimento de duas ou mais correntes de pensamento bem definidas. Da forma como for conduzido o debate depende o futuro imediato do partido. Mas uma coisa é certa: está a fazer-se política séria no MPLA, neste momento.