Jean-Claude Juncker envolvido em processo judicial por escutas ilegais

Presidente da Comissão Europeia pode ser arrastado para um caso que envolve três elementos dos serviços secretos e um esquema de escutas a responsáveis políticos luxemburgueses há cerca de dez anos.

O Presidente da Comissão Europeia pode ser envolvido num processo judicial em que se investigam alegadas escutas ilegais a responsáveis políticos e outros cidadãos luxemburgueses e que recai sobre funcionários que, em 2007, trabalhavam para o então primeiro-ministro do Luxemburgo. Segundo o The Times, os três elementos com ligação a Jean-Claude Juncker terão prestado depoimentos falsos no âmbito do processo.

O processo foi instaurado na última Segunda-feira numa instrução liderada pelo juiz Eric Shammo. O tribunal quer perceber se os oficiais que há cerca de dez anos trabalhavam com Juncker falsificaram os dados que apresentaram ao Parlamento, primeiro, e também aos tribunais, mais tarde, em investigações que ocorreram entre 2012 e 2013, na fase final de governação do antigo primeiro-ministro.

O The Times explica que a investigação em curso se foca em eventuais transcrições truncadas de uma conversa escutada entre Juncker e Marco Mille, que em 2007 liderava os serviços secretos luxemburgueses. Essas transcrições podem ter sido editadas de forma a omitir o envolvimento de Juncker num esquema de escutas a vários responsáveis políticos do país. Poderão ter sido omitidos alguns termos da conversa que sugerem a autorização dada pelo primeiro-ministro à realização das escutas.

Mille, que já está a ser julgado por alegadas escutas ilegais, defendeu em tribunal a ideia de que “a falsificação de provas e uma deliberada informação errada prestada ao Parlamento, ao sistema judicial e, em último caso, ao público são um ataque insuportável à lei”. O britânico Express lembra que a longa governação de Jean- Claude Junker no luxemburgo (1995-2013) terminou precisamente depois de o antigo primeiro-ministro perder o apoio dos partidos que integravam a coligação. Os líderes partidários retiraram o apoio a Juncker sob o argumento de que teria perdido o controlo sobre os serviços secretos do país, suspeitos de conduzir o tal esquema ilegal de escutas.