2017: Um ano “tímido” para a pesca do carapau em Benguela

A análise foi feita pelo director do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, José Gomes, que, comparando com anos anteriores, considera que a espécie carapau, uma das duas mais pescadas em Benguela, esteve pouco presente nos mares benguelenses em 2017.

POR: Zuleide de Carvalho em Benguela

Quando se fala sobre pesca em Benguela, o carapau e a sardinha estão sempre na ribalta, alternando entre si a ocupação do primeiro lugar e, indiscutivelmente, nos últimos anos, tem liderado a sardinha. O chefe do Departamento de Pescas, do Gabinete Provincial de Agricultura, Pecuária e Pescas, Francisco Morais, deu a conhecer que a tutela provincial está atenta à baixa na abundância de carapau.

Pronunciando-se sobre a pesca industrial e semi-industrial praticada na província de Benguela, Morais alegou que a acção da direcção passa pelo “controlo das capturas, da frota e das quotas das embarcações”. Esses grandes barcos praticam a pesca de cerco, segundo declarou Morais, que se limita a espécies pelágicas, onde se inclui a sardinha e o carapau, as duas estirpes mais pescadas na província de Benguela. Logo, de Janeiro a Novembro pescaram-se 86.757,52 toneladas, sendo 55,78% sardinha e apenas 12,36% carapau, constatando- se mais um decréscimo em relação a esta variedade piscícola. Porém, José Gomes diz que tal facto não é alarmante.

Em Benguela, estará o carapau a desaparecer?

Neste ano que agora termina, sobre o peixe capturado, o problema tem sido a ausência do carapau nas águas marinhas por onde os barcos operantes em Benguela pescam. Tudo porque “o carapau está um bocadinho sumido, tem sido mais a sardinha nos últimos anos”, adiantou Francisco Morais. Informação verificada nos dados estatísticos das capturas, detidos pela tutelar provincial.

Questionado sobre o motivo do sumiço do carapau, Morais justificou que a investigação marinha é o ramo capaz de dar explicações concretas a respeito. Interpelando-se de seguida o titular da pasta em Benguela, José Gomes, este anuiu: “é bem verdade que temos tido uma falha. Desde Janeiro até Outubro que a pesca do carapau é tímida.

Aparece, desaparece”, explicou. Perante uma relativa escassez, Gomes defende ser normal suceder, devido às condições ambientais da região de Benguela. E, mencionando as oscilações do carapau, declarou que há 15 dias, “tivemos a Baía Farta cheia de carapau”. De acordo com o proferido num encontro recente, decorrido em Luanda, onde o responsável provincial das pescas de Benguela esteve presente, “os níveis da biomassa de carapau e sardinha tiveram um acréscimo”, o que dilui preocupações.

A espécie marinha carapau necessita de cerca de dois anos para maturar e atingir a idade e tamanho em que é permitido que seja capturado. Logo, como forma de combater a suposta escassez, possibilitando o desenvolvimento do peixe, Benguela decretou uma pausa biológica do carapau de três meses, que ocorreu de Junho a Agosto, em que foi proibida a captura. Para navegar distâncias maiores, a Norte de Benguela, onde haverá carapau em abundância, são necessários mais investimentos por parte dos armadores. Para lá chegar, os empresários gastam mais combustível, forçam mais os equipamentos, incrementando a probabilidade de avarias e, com a crise das divisas, está cada vez mais difícil adquirir materiais novos, importados, queixou-se José Gomes.

Quem faz as capturas?

Mediante taxas trimestrais pagas à direcção das pescas, a repartição regista o número de barcos operantes das 27 empresas pesqueiras locais. O último pagamento de 2017 revelou 27 barcos semi-industriais e 26 industriais. Todavia, Francisco Morais esclareceu que o total, 53 barcos, não vão ao mar frequentemente, dizendo que “nem todas essas embarcações são operacionais, umas estão avariadas, têm problemas”, o que torna a estatística provida menos exacta.

Fornecendo tabelas estatísticas sobre o peixe capturado desde Janeiro de 2013 até Novembro último, a direcção pesqueira de Benguela permitiu assim saber que, de facto, os índices de carapau têm sido baixos. De tal forma que em 2013 foram pescadas 72.588,40 toneladas, sendo 36% sardinha e 13,8% carapau. No ano de 2014, das 81.048,92 toneladas de biomassa apanhada, 24% correspondeu à sardinha e, destacando-se, 62,89% foi carapau.

Nos 365 dias que se seguiram foram pescadas 99.682,64 toneladas, 53% foi sardinha e 24,7% carapau. Já em 2016, capturaram-se 112.191,6 toneladas. Destas, 60,3% referentes à sardinha, face a exíguos 14,95% de carapau. Um indicativo claro da redução do índice do carapau pescado, correspondendo a meras 10.723,2 toneladas apanhadas este ano. Não obstante, “Benguela tem um mar rico em espécies”, assegurou José Gomes. E, apesar de carapau e sardinha serem as mais pescadas, aparentemente, mais lucrativas, há disponíveis corvina, garoupa, atum, linguado, lagosta, camarão e, inclusive, tubarão.

Embarcações encalhadas há décadas no mar Benguelense

director do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, José Gomes, fez saber que, a entidade tutelar da actividade pesqueira detém na base de registos 18 embarcações encalhadas nos mares de Benguela. Incerto em relação ao tempo ido, desde que os barcos foram abandonados, a degradaremse, poluindo o mar, o responsável pesqueiro elucidou que as carcaças em questão encontram- se encalhadas “há mais de 20 anos.

” Assim, predominando nos mares que banham os municípios do Lobito, Baía Farta e Benguela, os grandes barcos abandonados já fazem parte do ferro-velho das praias Benguelenses há mais de duas décadas, imiscuindo- se na paisagem. Supostamente, remover essas carcaças, que vão tornando o oceano que banha Benguela num cemitério de barcos, “acarreta muitos custos para o Estado”, alegou José Gomes. Logo, não há uma meta definida para intervir.

Contudo, um ambientalista diria que, muito mais dispendiosa é a degradação da biodiversidade marítima. Resumindo, o director do Gabinete Provincial das Pescas mencionou haver organizações sul-africanas interessadas em recolher “as sucatas”, reutilizando o ferro. Dados os riscos ambientais, Gomes afirmou: “temos um plano de recolha”. Todavia, os vinte anos em que os barcos enferrujam no mar Benguelense, asseguram que, a sua remoção, defendendo o ambiente, não é uma prioridade.