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Cidadã sofre intimidações de polícias por denunciar agente corrupto

Ilda Maria denunciou que um agente do Serviço Provincial de Investigação Criminal na Huila cobrava 20 mil Kwanzas para soltar marginais que aterrorizam a vida dos moradores do bairro Kuawa

Por: João Katombela, na Huíla

Uma cidadã de 43 anos de idade, moradora do bairro do Kuawa, arredores da cidade do Lubango, diz estar a ser intimidada por agentes da Polícia Nacional, em função de uma denúncia que envolve um suposto agente do Serviço de Investigação Criminal (SIC), em actos de corrupção.

Em entrevista em exclusivo a OPAÍS, Ilda Maria, também secretária da OMA naquele bairro, disse que na Quarta-feira, 13, foi retirada de um óbito familiar para prestar declarações no Comando Municipal da Polícia no Lubango.

No local, Ilda Maria foi interrogada pelo director adjunto interino do Serviço Provincial de Investigação Criminal (SPIC) na Huíla, que, diz ela, a teria obrigado a assinar uma declaração que, no seu entender, foi manipulada pelo investigador em serviço. “Fui retirada de um óbito familiar e isso não é ético, um óbito a que nem sequer assisti até ao fim, porque, como cidadã, tive de ir responder ao apelo da Polícia. Eu merecia ser tratada como cidadã nacional”, frisou.

Acrescentou de seguida que “mais tarde dei conta de que o interesse maior da declaração que me pediram para prestar é se refere apenas ao caso Matroquela, caso 20 mil Kwanzas”. Os 20 mil Kwanzas a que se refere a nossa fonte são valores que, segundo ela, eram recebidos pelo agente do SPIC José Pedro Matroquela para soltar marginais que aterrorizam a vida dos moradores do seu bairro, tal como foi publica do na edição nº 957, de 07 de Dezembro, deste jornal.

Ainda em relação aos 20 mil Kwanzas, Ilda Miranda disse que durante a sua audição foi-lhe dito que o valor em causa foi pago em forma de caução à ProcuradoriaGeral da República (PGR) , facto que a deixa perplexa por não lhe ter sido mostrado qualquer talão de depósito na conta desta instituição. “O senhor investigador disse que os 20 mil foram depositados no banco”.

Segundo ela, um grupo de supostos marginais foram à sua casa para exigir que ela ou o seu filho devolvessem os 20 mil que haviam pago, pois, por causa da denúncia, o seu colega não terá sido solto. Por outro lado, a nossa interlocutora informou que há da parte do SPIC um certo protecionismo a favor do quadro envolvido no caso de corupção.

“Se não houvesse esse proteccionismo ter-nos-iam ouvido e seriam esclarecidos os motivos que me levaram a contactar os órgãos de comunicação social”, explicou. Ilda Miranda contou ainda que durante a audiência o investigador advertiu-a que pensasse no risco que o agente em causa corria ao ser denunciado como corrupto.

“O colega do Matroquela me disse, pensa: o senhor Matroquela tem família, tem filhos, e se ele agora ficar desempregado?” Revelou. Entre outras acusações, Ilda Miranda disse que foi demitida da Esquadra Policial do bairro do Kuawa, onde era trabalhadora civil até ao mês de Agosto do ano de 2016.

Vítima de assédio sexual

Foi despedida pelo facto de não ter cedido ao assédio sexual praticado pelo comandante da referida unidade, identificado por José Albano. “O comandante, como não sabia como me demitir directamente, usou um outro método. Disseme: ‘dona Ilda arranja-me uma mulher, uma namorada igual a você. Igualzinha mesmo a você’”, disse.

Contou que ante o seu espanto, o comandante passou a detalhar: “‘que anda como você. Que veste como você. Que cozinha como você. E a resposta é urgente’. Eu fiquei como que não estivesse a perceber o que ele estava a dizer”. Segundo Ilda Miranda, o comandante repetiu a cantada e foi mas directo: “‘estou a falar pra ti, isso. Estou a falar pra ti não estás a ouvir’”? Ao que a senhora respondeu, recorda, que estava a ouvir, mas não seria possível satisfazer o pedido.

“O comandante me disse que a resposta é urgente. Analisei perfeitamente, se tinha que lhe arranjar uma mulher igual a mim, a própria mulher era eu”, opinou. Desde esta data, Ilda Miranda passou a enfrentar muitos problemas no serviço, até que foi demitida sem justa causa aparente. “Fui a um óbito no município de Caluquembe, isto no ano passado, e no meu regresso o Oficial Dia que estava de serviço disse-me que o senhor comandante ordenou que não posso entrar na minha área de serviço até ele chegar”.

Assim que chegou, manifestou o seu desagrao por eu ter ido a Caluquembe sem ser dispensada. “‘Não és pessoa de confiança e no teu lugar meti outra pessoa, de confiança’”, disse Entretanto, Ilda Miranda solicita ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) e à PGR que se abra um inquérito para se apurar a veracidade dos factos, bem como salvaguardar a sua segurança e da sua família.

“Eu peço que se faça um inquérito em toda a área do Kuawa, pois lá há duas ou mais pessoas que foram vítima de extorsão do senhor Matroquela. há factos que comprovam as denúncias contra o senhor Matroquela”, assegurou. Uma outra fonte, familiarizada com o assunto, garantiu a OPAÍS que já foi aberto um inquérito por ordem do director provincial de Investigação Criminal da Huíla, no sentido de apurar a veracidade dos factos. Os resultados serão tornados público dentro de dias.“

  • Carla Carmona

    O comandante Jose Albano e o agente Matroquela sao evidentemente corruptos. Numa sociedade onde impera a ordem e a justiça estariam fora da instituiçao policial. Por sua vez esta senhora merece a protecção e o apoio da policia e da PGR. Por favor não sejam negligentes no tratamento deste caso. Assedio sexual e corrupção são um cancro em Angola que precisa ser irradicado. Vamos apoiar esta pobre vitima.

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