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Cidadãos sonegam cadáver confiantes numa “prometida” ressurreição

Segundo testemunhas, os três cidadãos em causa, já sob custódia da justiça, terão sonegado um cadáver por suposta orientação de um pastor ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, que ao ser contactada à propósito, a sua direcção no Lobito negou qualquer envolvimento de um dos seus pastores no caso em referência.

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

Aos familiares, segundo apurou este jornal, foi-lhes prometida a ressurreição da vítima que em vida respondia pelo nome de Laurinda Ngueve Braga. Segundo testemunhas contactadas, o pastor ministrava orações quando a vítima encontrava-se ainda a receber assistência médica e medicamentosa no Hospital Geral de Benguela, prometeu à família que em curto espaço de tempo a paciente havia de recuperar- se da dor que a apoquentava.

Entretanto, para desgraça do “homem de Deus”, o seu quadro (da doente) veio a agravar-se consideravelmente, chegando a perder a vida no dia 9 de Dezembro. Acto contínuo, a família decide retirar o corpo da morgue para casa, e quando era expectável que fosse realizar o seu funeral, resolveram manter o cadáver no interior de casa durante dias, pois, avançam as testemunhas, o pastor teria supostamente garantido que “7 dias” depois, “com a ministração da oração”, a morta tornar-se-ia viva, ou melhor, ressuscitaria. Não tendo acontecido o tão esperado “milagre”, e como o cheiro incomodava as redondezas, os vizinhos resolveram accionar a Polícia para aferir o que se estaria a passar no interior da residência da família Braga.

Surpreendentemente, estava lá um cadáver sonegado havia 7 dias, já em estado de decomposição. A Polícia nacional confirmou já a detenção de 3 irmãos acusados de sonegação de cadáver. Em declarações à imprensa, o porta- voz da Polícia nacional, superintendente- chefe Pinto Caimbambo, revelou que o Serviço de Investigação Criminal tomou conhecimento do caso por via de uma denúncia feita pelos vizinhos, incomodados pelo cheiro nauseabundo emitido a partir da casa da família Braga, no bairro da Luz, no Lobito.

“Nós tomámos conhecimento da suposta existência de um cadáver. Rapidamente, o nosso de piquete fez-se ao local para saber o que se estava a passar de concreto, e, assim, foi identificado um corpo (cadáver) no interior de uma residência, envolto em lençóis e cobertas, desde o dia 10 do corrente mês até ontem (Domingo, 17)”, revelou. O oficial da Polícia nacional, que qualificou o caso como “inusitado”, adiantou que face ao ocorrido, foram preventivamente detidos 3 cidadãos, nomeadamente João Garcia Braga (20 anos de idade), Adelina Braga (31 anos) e Balbina Braga (20 anos), irmãos da vítima, implicados no caso.

Pinto Caimbambo afirmou que a Polícia nacional desconhece a identidade da igreja em causa, mas assegura que já foi instaurado um processo mediante o qual será investigado, e consequentemente os factos serão melhor esclarecidos. Contudo, refere, os factos até aqui apurados apontam que o caso se deveu à alegada crença da família numa dada ceita religiosa que estaria a desenvolver rituais visando a “ressurreição da senhora”, frisou, aplaudindo a iniciativa dos cidadãos na denúncia do caso. Contactada sobre o facto, a direcção da Igreja Universal do Reino de Deus no Lobito, entidade para a qual è apontado o dedo, descartou o envolvimento de qualquer um dos seus pastores no caso, tendo referido tratar-se de uma denominação religiosa que não se tratava da IURD.

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