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“O meu Diário” de Dom Alexandre do Nascimento já nas bancas

Já circula nas bancas o livro de memórias com o título “ o meu Diário”, de Dom Alexandre do Nascimento, lançado esta Terça-feira, 19, em Luanda, em acto decorrido na Universidade Católica de Angola(UCAN).

POR: Ireneu Mujoco

“O meu Diário” traz a lume a trajectória de vida desta insigne figura eclesiástica angolana, revelando os bons e os maus momentos por que passou enquanto homem ao serviço de Deus até à sua resignação. No prefácio desta obra, o antigo Núncio Apostólico em Angola, Dom Novatus Rugambwa, refere que no “meu Diário” o autor coloca os sentimentos que caracterizam toda uma trajectória de vida animada pela fé e recheada de humanidade.

Rugambwa acrescenta, admirando a coragem com que Dom Alexandre do Nascimento escreveu esta obra, ao admitir as suas próprias fraquezas “com numerosíssimas provas de fortaleza e de nobreza”. Segundo o antigo representante da Santa Sé no nosso país, no “O meu Diário” Dom Alexandre do Nascimento transmite também o perfil “de um homem, de um cristão, de um sacerdote, Bispo e Cardeal”. Com 746 páginas, o livro está dividido em três volumes. O primeiro compreende o período de 1947 a 1971, o segundo vai de 1972 a 1975 e o terceiro de 1976 a 2003.

“Dor profunda para Angola”, diz Dom Zeca Martins.

Intervindo no acto da apresentação, o arcebispo auxiliar de Luanda, Dom Zeferino (Zeca) Martins, disse que a obra representa a “dor mais profunda de Angola na luta de libertação nacional”, seguida de um longo conflito armado que assolou o pais, com uma experiência vivida na pele pelo autor. Segundo o prelado, a “ obra constitui um testemunho de cada angolano como parte de si próprio”. Parco em palavras, o autor agradeceu aos seus familiares para que este livro fosse publicado. Testemunharam o acto, para além de eminentes figuras da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST), académicos, políticos, governamentes e membros da sociedade civil.

Perfil do autor

Dom Alexandre do Nascimento nasceu a 1 de Março de 1925, na província de Malanje, e é o único cardeal angolano. Foi ordenado padre em 1952, logo depois tornou-se professor de Teologia Dogmática no Seminário Maior de Luanda. Quando começou a guerra civil angolana, em 1961, exilou-se em Lisboa, de onde voltaria dez anos depois. Foi ordenado Bispo em 31 de Agosto de 1975, na Diocese de Malanje. Em 1977, foi nomeado Arcebispo de Lubango, sendo elevado a cardeal a 2 de Fevereiro de 1983 pelo Papa João Paulo II. Durante esse período, serviu como administrador apostólico da Diocese de Ondjiva, de 1977 a 1986. Foi arcebispo de Luanda de 16 de Fevereiro de 1986 a 23 de Janeiro de 2001, quando se resignou. No último conclave para a escolha do Papa Bento XVI, participou como cardeal não-votante, já que tinha mais de 80 anos na época. Foi, também, presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, entre 1990 e 1997.

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