Metas orçamentais são ambiciosas, considera EIU

‘Ambiciosas’ é como a Economist Intelligence Unit (EIU), a unidade de análise do grupo da revista The Economist, classifica as metas para o crescimento económico e o défice orçamental para o próximo ano.

Para o Economist Intelligence Unit (EIU), a unidade de análise do grupo que publica a prestigiada revista The Economist, o Orçamento Geral de Estado (OGE) para 2018 mostra-se ambicioso, considerando que a volatilidade do preço do petróleo (que termina, curiosamente o ano de 2017 muito acima da meta orçamental para 2018) faz com que ‘os objectivos de crescimento e de défice orçamental’ sejam ‘altamente ambiciosos’.

Recorde-se que o OGE para 2018 aponta para um crescimento de 4,9% no próximo ano, em contraste com o crescimento de 1,1% esperado para o ano que agora está prestes a terminar, e um défice orçamental equivalente a 3,9% do produto interno (PIB) 3% do PIB, situando-se em Kz 724,7 mil milhões, traduzindo uma melhoria de 2,3 pontos percentuais face ao défice agora previsto para 2017, o qual acabou por ser ligeiramente menor que o inicialmente projectado.

O crescimento projectado assenta numa estimativa de crescimento de 3,1% do PIB petrolífero (6,1% quando se inclui a produção de gás natural) e de 4,4% do não petrolífero. Embora o relatório de fundamentação do OGE 2018 reveja em baixa a produção petrolífera prevista para este ano (excluindo o LNG), que passa dos 664,68 milhões de barris estimados no OGE 2017 para 449,7  milhões de barris, projecta-se que, em 2018, se atinja uma produção de 620 milhões de barris de petróleo bruto.

Os analistas da EIU não partilham das projecções das autoridades para o défice, mostrando-se ‘substancialmente mais pessimista, estimando um défice de 7% este ano’, lembrando que ‘a economia estagnou em 2016’ e prevendo que deverá crescer entre 2,4% e 3% entre 2018 e 2022’, uma estimativa que se situa bastante abaixo da expectativa governamental para o ano que está a chegar. A unidade de análise do The Economist vê como positivas a transição na Presidência de Angola, em que José Eduardo dos Santos cedeu o lugar a João Lourenço, bem como ‘as inesperadas iniciativas destinadas a aplacar a corrupção e melhorar o ambiente de negócios, alertando, contudo, que ‘no entanto, vai ser preciso mais que optimismo e novas pessoas para ultrapassar os desafios económicos de Angola’.

Os fundamentos do ‘optimismo’

Tanto o crescimento esperado do sector petrolífero quer do não petrolífero são fundamentados no texto da proposta orçamental entregue pelo Governo na Assembleia Nacional e que deverá ser debatida até ao dia 15 de Fevereiro, dia em que deverá ocorrer a votação final no parlamento. No que respeita ao sector petrolífero pretende-se estancar o declínio da produção, sendo enunciado um conjunto de medidas com vista a assegurar o ‘controlo dos factores de risco’ e o desenvolvimento de novos campos, medidas essas que terão como impacto a produção média diária para perto de 1,7 milhões de barris por dia, um ganho considerável em relação à estimada produção de 1,647 milhões de barris por dia este ano, menos 147,2 mil barris do que inicialmente orçamentado.

No que toca ao sector não petrolífero , o ‘sector vedeta’ será o da energia, com uma taxa de crescimento estimada de 60,6%, com a entrada em operação das turbinas a vapor da Central de Ciclo Combinado do Soyo e do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, com duas turbinas, de 330 megawatts cada. Na agricultura espera- se que o impacto de novas produções e medidas de apoio conduzam a um crescimento de 5,9%.

Já o ‘ligeiro’ aumento esperado das importações e o acréscimo no número de passageiros transportados e volume de carga manuseada e transportada deverão impulsionar os serviços mercantis, que se espera cresçam 4,3%. Estima-se ainda que a construção cresça a uma taxa de 3,1%, que a mineração, com o arranque da produção da mina de Luaxe, a exploração de ferro gusa e o aumento de exploração de rochas ornamentais evolua a um ritmo de crescimento de 4,4% e que a indústria transformadora cresça 1,8%, uma perspectiva em grande parte fundamentada pela entrada em funcionamento de 18 novas unidades fabris no corrente ano.