Editorial: O valor do kwanza e as medidas necessárias

O Kwanza não vai ser formalmente desvalorizado. Este foi um dos aspectos comunicados ontem na conferência de imprensa da equipa económica do Governo angolano. Mas o regime da taxa de câmbio a ser adoptado será flutuante, deu a conhecer no mesmo espaço e actividade o governador do Banco Central, José de Lima Massano.

Ou seja, o regime de taxa de câmbio vigente, que é fixo, sofre uma grande alteração, passando a moeda nacional a flutuar numa banda em que o seu valor é fixado pelo mercado, podendo o BNA intervir através de instrumentos de que dispõe de controlo da liquidez na economia. Mas o Governador reconheceu que o kwanza deverá depreciar, face ao afastamento da actual taxa de câmbio do valor de mercado da moeda nacional. Enfim, perderá valor, reflectindo melhor a situação da economia.

A dívida externa de Angola está avaliada em 38,06 biliões de dólares norte-americanos, disse o ministro das Finanças, Archer Mangueira, na mesma conferência de imprensa. A economia angolana, a que deve USD 38,06 biliões, está perante uma situação de quase estagnação afirmou o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social.

Daí as medidas fiscais anunciadas, no OGE e no Plano de Estabilização, consubstanciadas em redução de despesas do défice e das necessidades de endividamento e no ajuste do mercado cambial (lá vem outra vez o valor do kwanza). Concluindo: 2018, necessariamente, não pode ser um ano para festas. (No OGE, a Despesa até sobe bastante, mas menos que a receita e sobe sobretudo o endividamento para o lugar dos impostos (mais de 49% dos recursos orçamentais).