Fábrica de ricos

Estamos a assistir, nos últimos tempos, a um processo interessante, divertido, que anima as massas, mas que pode não ter qualquer efeito prático, sobretudo naquilo que o povo espera ser possível, no quadro de uma certa ingenuidade própria destes casos. É preciso esfriar a cabeça para nos concentrarmos no que é realmente importante.

POR: José Kaliengue

O que importa, de facto, é que sejamos um país que precisa desesperadamente de produzir riqueza, de mudar os hábitos de trabalho e de consumo. Temos de mudar a forma como nos relacionamos com o dinheiro, com a sociedade e com o futuro. Temos de cultivar outra vez os conceitos de moral e de honra. Em vez disso, estamos distraídos e animados por processos de assassinato de carácter e de personalidade.

Abriu-se no país uma guerra de indicadores, cada um indica o traseiro do outro. Apercebemo- nos que não há fichas limpas. Mas, o que é dramático é que estes vão continuar com a massa toda. A maior parte da corrupção apropriou-se do dinheiro de forma legal. Pode ser imoral, e ilegítima, mas legal. Depois, além de muitos destes crimes terem prescrito, há as amnistias que os “legalizam”. E, para fechar, a proposta de repatriamento de capital que estamos todos a aplaudir vai “lavar” montes de massa e legalizar a sua posse.

Não sei o que será feito com os bens imobiliários, porque não dá para repatriar uma casa e não sei como o Estado assumirá a sua titularidade. Estando a Europa a apertar os dinheiros não explicados, nós cá vamos fabricar instantaneamente ricos, que já não terão de fingir e esconder nada. E nós a aplaudirmos as exonerações. O país tem é de trabalhar e produzir mais dinheiro.