Repensando na nossa filosofia de educação

Desafiados pelo Professor Isaac Paxe, no curso de agregação pedagógica, fomos remetidos a uma reflexão profunda, sobre qual seria a “nossa filosofia de educação”.

POR: Josué Chilundulo

Aquilo que nos move, quando nos desafiamos a participar do processo de ensino-aprendizagem, baseia-se na crença de se puder construir, degrau a degrau, uma sociedade mais livre, justa e transparente, que assenta os seus pilares na dignidade da pessoa humana e num espaço de realização de sonhos individuais e colectivos. Buscamos sempre por melhores práticas pedagógicas, através das quais acontece a emancipação do Ser, do Estar e do Fazer do indivíduo e, concretizamos o que de mais nobre função docente impõe: a valorização do “ser” com toda a sua capacidade transformadora e libertadora.

Partilhamos conhecimentos, porque acreditamos que com os mesmos, se conquista a sabedoria para lidar com às adversidades da vida e se realizam direitos e deveres dos cidadãos. Para nós, a sala de aulas representa o espaço do começo do poder transformativo, da solução para as nossas ansiedades e da mecanização dos processos como ponto de partida para a quebra das formalidades e a abertura para criatividade. Quando o estudante aprende e convive com o conhecimento, ele cria, inova e gera processos produtivos que se reflectem no seu bem-estar e na satisfação pessoal e colectiva. Como professores temos exactamente esta missão: fazer deste sonho uma realidade. Não sendo dessa maneira o país morre lentamente, os pilares da sustentabilidade da vida vão esmorecendo e a sociedade deixa de valer a pena.

Bastará olharmos para a desestruturação familiar e para os prejuízos patrimoniais que decorrem da precariedade do saneamento do meio, dos atropelamentos e irracionalidade no transito, dos baixos rendimentos salariais e mal-estar no seio das famílias angolanas. No entanto, é sobejamente reconhecido quer nos ciclos de tomada de decisão, quer nos ciclos académicos, que os baixos níveis de escolarização constituem a “pedra de tropeço” na nossa sociedade, gerando o insucesso político, económico e social. Por isso, continuamos a sugerir que se impõe um olhar urgente para Educação como um factor de desenvolvimento para o país, o que significa: – O alcance da Justiça Social e melhor distribuição das riquezas nacionais; – A melhorias do Índice de Desenvolvimento Humano; – A maior disponibilidade de recursos humanos mais qualificados e a consequente minimização do custo de contratação Mão de Obra – factor muito importante para o ambiente de negocio;

– A melhor maximização dos recursos disponíveis, por via da maior facilitação na aplicação de sistemas de produção avançados – garantia da economia de escala; e – O elevar dos níveis de utilização de tecnologias avançadas nos três sectores da economia: primário, secundário e terciário; e Hoje por hoje, as pessoas fazem a diferença… importante mesmo é deixarmos de ver o cidadão angolano apenas para fins estatísticos. Ele é, na verdade um activo económico e representa o centro na catalisação dos recursos para o desenvolvimento do país. A utilização do capital humano de forma inteligente, pressupõe, à partida, a recapitalização da nossa Política Educativa. Não tirar proveito do capital jovem desse país é um prejuízo que o país vem acumulando ao longo dos tempos. Portanto, é urgente “reformar” a Reforma Educativa e toda plataforma sócio-educativa do país, sob pena de continuarmos a somar um conjunto de desinteligências que concorrem cada vez mais para as nossas desgraças. O país merece e nós agradecemos!