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Executivo promete pagar dívida às gráficas

O Governo, através do Ministério das Finanças (MINFIN), está a trabalhar no sentido de agilizar esforços para liquidar a dívida que tem para com as gráficas nacionais até ao fim do primeiro trimestre de 2018, garantiu a ministra da Indústria num périplo que fez ontem pelas maiores gráficas de Luanda

Por: Brenda Sambo

A ministra da Indústria, Bernarda Martins, visitou ontem, Segunda- feira, as três maiores gráficas em Luanda. Um dos objectivos da visita foi sensibilizar os industriais do sector no sentido de garantirem manuais escolares às instituições de ensino para este ano lectivo. De acordo com a ministra, o Estado tem uma dívida muito elevada para com as gráficas, a qual tem vindo a aumentar dadas as dificuldades de ordem financeira que o país atravessa.

“O Estado, através do Ministério das Finanças está a trabalhar no sentido de liquidar essa dívida nos próximos tempos”, garantiu a titular da pasta da indústria. Segundo a governante, para além da dívida, os agentes do sector enfrentam actualmente outra grande dificuldade, a qual se prende com a aquisição de divisas para a importação de matérias- primas, o que originou atrasos nos prazos de recebimento daqueles bens.

Bernarda Martins garantiu que o Estado vai criar medidas para criar mecanismos de acesso das empresas de artes gráficas às divisas. A governante salientou que em 2017 não houve sequer contratação de manuais escolares, o que fez com que as instituições de ensino trabalhassem com os manuais de 2016. A ministra adiantou que, para 2018, e, tem em conta os esforços que o Executivo está a implementar, dentro de 30 a 60 dias os fabricantes estarão em condições de fazer a entrega dos livros e manuais necessários para 2018.

“Não tem sido fácil para o Executivo tendo em conta as dificuldades que o país atravessa, mas o esforço está a ser feito, para se ultrapassar a actual situação que os industriais ainda enfrentam”, assegurou. Bernarda Martins referiu que o que acontece na indústria gráfica tem ocorrido também a nível das outras indústrias que concorrem para o bom funcionamento das escolas.

Como é o caso, por exemplo, do imobiliário escolar, desde as carteiras, armários e até mesmo de materiais como lápis, borrachas, entre outros. A responsável salientou que, neste momento, o Ministério da Indústria procura fazer um levantamento entre os industriais sobre as necessidades prioritárias. Segundo Bernarda Martins, anualmente o seu ministério tem necessidade de cerca de 40 mil livros.

Mas, neste momento, apesar de algumas dificuldades (pagamentos e falta de divisas) alguns industriais, por esforço próprio, já estão em condições de responder, numa pequena parte, àquela necessidade. Abastecer o mercado e exportar Para a responsável, daquilo que constatou, o país tem capacidade e qualidade suficiente para abastecer o mercado nacional e também exportar.

Adiantou que, neste momento, o país conta com cerca de 40 tipografias de qualidade. Durante a visita a ministra foi recebida pelo administrador da Damer, Délcio Gama, que informou a governante sobre a actual situação da gráfica.

Délcio Gama disse que, apesar das dificuldades, a gráfica conta com uma produção de cerca de 40 milhões de manuais escolares por ano, e possui capacidade para produzir cerca de dois a três milhões de livros por mês. A Damer reúne o maior parque gráfico nacional, ocupando uma área de produção de cerca de 6.500 metros quadrados e possui capacidade para abastecer o mercado, assegurou o seu principal responsável.

A gráfica imprime jornais, revistas e livros escolares. De acordo com Délcio Gama, uma das principais dificuldades enfrentadas pela Damer tem sido o acesso a divisas para a importação da matéria-prima. A ministra visitou ainda ontem a gráfica Unimater, localizada no bairro Benfica, que ocupa uma área de cerca de 17 metros quadrados e produz anualmente cerca de cinco milhões de livros Também o CEO da Unimater, António de Oliveira, se queixa da falta de divisas que assegurem a matéria-prima necessária à produção, condicionando-a.

De acordo com António Oliveira, o Estado deve entre Kz 500 milhões e Kz 600 milhões, uma dívida que não é regularizada há mais de um ano. Por sua vez, o director geral da Imprimarte, Carlos Cunha, garantiu que, apesar de algumas dificuldades, a fábrica está a trabalhar cerca de 24 horas por dia, por forma a aumentar a produção e conseguir entregar os manuais antes mesmo do prazo estipulado. “Independentemente de algumas condições vamos fazer esforços no sentido de entregar os manuais antes do tempo previsto”, acentuou. Actualmente a capacidade de produção está limitada a cerca de 2 milhões de livros.

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