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Osvaldo Narciso assassinado por causa de um Jaguar

 O Serviço Provincial de Investigação Criminal (SPIC) de Luanda apresentou, ontem, quatro cidadãos suspeitos de terem raptado e barbaramente assassinado o jovem Osvaldo Manuel Pacavira Narciso “Maju”, cujo funeral ocorreu Sábado, 27, no Cemitério de Sant’Ana

Por: Maria Teixeira

Osvaldo Narciso, 35 anos, foi raptado, alvo de duas injecções de água de bateria, asfixiado com atadores e banhado de combustível, antes ser largado morto num terreno baldio, algures no Kikuxi, por causa de uma viatura de marca Jaguar. Revelou ontem, à imprensa, o estudante do 3º ano do curso de Direito Sílvio Massango, 22 anos, apresentado como um dos presumíveis autores do crime, no Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional.

O acusado declarou que com essa acção, ele e o seu amigo Edson Fútila, 22 anos, considerado o mentor da trama, apropriaramse do Jaguar, modelo XE, e de oito milhões de Kwanzas que se encontravam no porta-bagagem da viatura. Sílvio Massango declarou-se arrependido pelo facto de ter estrago a sua “vida numa brincadeira” e atribuiu toda culpa à Edson Fútila que se recusou a falar à imprensa, alegando que só o faria na presença do seu advogado. “

O Edson induziu-me ao erro. Se me tivesse explicado o que se tratava, eu não sairia de casa. Estou muito arrependido porque ele estragou a minha vida”, declarou. Segundo as autoridades, por diversas vezes, Edson Futila solicitou ao malogrado que lhe vendesse a referida viatura, mas, este, conhecendo as condições financeiras do pretenso cliente, recusou fechar negócio.

Foi assim que o estudante do segundo ano do curso de psicologia decidiu raptar Osvaldo Narciso no dia 22 de Janeiro, no condomínio onde guardava os veículos que tinha à venda. Para tal, terá solicitado ao seu amigo e colega de faculdade Sílvio Massango que o acompanhasse para, alegadamente, irem buscar uma viatura num condomínio, sem especificar de que carro se tratava.

Chegados ao local, o amigo mostrou-lhe o carro, o Jaguar, e pediu-lhe para regressar apenas com o carro da sua namorada, de marca Hiunday, modelo Grand I -10, de cor vermelha. “Ainda perguntei-lhe como levaria o carro, porque já me tinha apercebido que ele não tinha a chave, apenas respondeume que eu só precisava olhar e que não devia me preocupar”, explicou.

Aparentemente arrependido, Sílvio disse que não sabia que o seu amigo se fazia acompanhar da seringa com água de bateria que injectou à vítima e, de seguida, asfixiou- a com um atador, enquanto ele controlava os movimentos das pessoas no condomínio. “

Apenas fui buscar o carro e o Edson continuou a apertar com o atador no pescoço. Depois, pusemos o corpo no porta-bagagem do carro (Toyota Prado)”, relatou. Seguidamente, apoderam-se de oito milhões de kwanzas, tirados do interior de uma das viaturas, e levaram a vítima, supostamente já sem vida, às imediações do canal do Kikuxi, município de Viana, onde abandonaram o corpo. “

Fomos com o Prado que era do malogrado, com o Edson ao volante, porque eu nem estava a conseguir falar. Fiquei no banco de trás e o corpo da vítima no porta- malas”, frisou. Ao longo do caminho, ao verem um jovem a passar de motorizada com um recipiente de combustível, segundo ele, o Edson teve a ideia de comprar para despejar no corpo da vítima.

Depois disso, Edson regressou ao parque do condomínio e levou o tão ambicionado Jaguar. O director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Delegação Provincial do Ministério do Interior (MININT) de Luanda, intendente Mateus Rodrigues, aconselhou os cidadãos a realizarem negócios da forma mais convencional e lícita possível.

O intendente Mateus Rodrigues explicou que os quatro indivíduos supostamente envolvidos na tentativa do roubo da viatura de marca Jaguar, modelo XE, que derivou na morte do infeliz proprietário, serão agora remetidos ao Ministério Público para que sejam julgados pelo crime cometido.

Segundo o intendente, a denúncia do desaparecimento da vítima foi efectuada por Tatiana Narciso, sua esposa, ao aperceber-se da sua ausência prolongada e da falta de comunicação. No condomínio onde guardava e trocava as viaturas, os investigadores foram informados de que a vítima ainda gritou por socorro, porém sem sucesso.

Para além de Edson Fútila e Silvo Massano, estão arrolados neste processo os cidadãos Evânio Pontes e Amadeu Joaquim, sendo um deles agente da Polícia Nacional, por ter alugado a arma que Edson e Sílvio usaram para ameaçar o malogrado. O quarto indivíduo é um intermediário no aluguer da arma.

Os polícias apreenderam sete milhões e cem mil kwanzas, parte dos oito milhões, quatro viaturas, entre elas o Jaguar XFR, Toyota Land Cruiser-Prado (Bege), um Mitsubishi Pajero e Hiunday Grand I -10, além de duas armas de fogo do tipo pistola, três telemóveis, sendo dois da marca Samsung Galaxy S-6 e um Iphone- 10.

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