Cáritas socorre vítimas da estiagem no Cunene

A Cáritas atende de três a quatro milhões de beneficiários por ano em todo o país, quando não se verificam situações calamitosas, declarou o director geral da Cáritas de Angola, Eusébio Amarante.

POR:Maria Teixeira

A Cáritas de Angola está a apostar na montagem de fontes de água em algumas comunidades da província do Cunene para acudir a população afectada pela estiagem, revelou ontem, em Luanda, Eusébio Amarante, o seu director-geral. Explicou que, para além destas acções, já atenderam as pessoas internadas no Centro de Leprosaria do Cunene, por via de uma parceria que mantém com a empresa Ibersol, com vista a ajudar as populações carenciadas. No ano passado, ajudaram um pequeno grupo de Khoisan, cuja família inteira era deficiente.

“A Cáritas geralmente atende três a quatro milhões de beneficiários anuais em todo o país, quando não se vivem situações calamitosas pontuais”, apontou. Para precisar os seus níveis de intervenção social, esclareceu que a sua organização é uma ramificação da presença da Igreja Católica nas diferentes comunidades em que trabalha. A nível de cada paróquia, existem grupos mais diminutos que representam a igreja nas comunidades, exceptuando as actividades desenvolvidas pelos grupos pastorais de cada paróquia. “Por essa razão, o volume de agregados de pessoas beneficiadas pelo serviço social da igreja é muito grande”, frisou.

Ibersol doa seis milhões de kwanzas à Cáritas

Em declarações à imprensa, no acto em que recebia a doação de seis milhões de kwanzas da empresa Ibersol destinada a apoiar as comunidades carentes, Eusébio Amarante realçou que esse donativo tem um significado peculiar por ser a primeira empresa que assume um compromisso permanente e não faz uma doação pontual de ajuda ao trabalho que a Cáritas desenvolve em diferentes partes do país. Eusébio Amarante engrandeceu, por outro lado, a iniciativa, considerando-a como sendo mais uma demonstração da sua sensibilidade para com “a causa nobre de ajudar, de formas a alavancar os projectos de ajuda às famílias carenciadas”.

“Na verdade, isso é uma abordagem bastante recente para a Cáritas. É uma orientação da igreja mundial e uma prática da igreja angolana, procurar construir parcerias com empresas privadas interessadas, no âmbito da sua responsabilidade social, a colaborar com a Cáritas a nível de todo o país”, justificou. Seguidamente, acrescentou que “hoje, junto à Ibersol, temos construída uma parceria que tem ajudado as populações mais carentes,há quatro anos e meio”. Explicou que, apesar de doadora, a Ibersol não intervém na seleção dos beneficiários dos fundos, cabendo à Cáritas propor, sendo que ela simplesmente autoriza ou não a execução do trabalho. No entanto, até agora não registaram qualquer recusa. Por sua vez, o director-geral da Ibersol/Angola, José Santos Cunha, disse que a empresa tem manifestado cada vez mais disponibilidade para realizar acções de responsabilidade social, sobretudo nesta fase em que Angola vive uma crise económica e social.

“É uma iniciativa que tem sido tomada nos últimos quatro anos e pretendemos continuar. A Ibersol é uma marca que quer estar associada, de alguma forma, à sua componente social. Portanto, não há outra forma de podermos perdurar no tempo todo o nosso contributo social”, disse. Avançou ainda que “Independentemente dos melhores ou piores períodos, temos conseguido atingir os nossos objectivos. Ainda não fechamos as nossas contas de 2017, mas estamos a falar de uma facturação que ronda os quatro mil milhões de Kwanzas”, revelou José Cunha. Já o Administrador da Ibersol, Heitor de Carvalho, disse que, “apesar do momento menos bom que o país tem vivido, a Ibersol Angola manteve a promessa de continuar com os seus projectos de apoio às comunidades carenciadas, e é com muita satisfação que faz esta doação, pois temos noção que é uma forma de contribuirmos para a melhoria das condições de vida das pessoas mais vulneráveis” afirmou Heitor de Carvalho.

Durante a campanha de recolha dos donativos, ocorrida no último trimestre de 2017, por cada Kwanza doado pelos clientes dos restaurantes KFC e Pizza Hut, a Ibersol Angola duplicava a quantia. Assim, foram recolhidos 3.000.000,00 de AKZ e a Ibersol duplicou para os 6.000.000,00 AKZ que serão agora doados. De realçar que OPAÍS noticiou, recentemente, que milhares de pessoas residentes em Oncócua, capital do município do Curoca, a 333 quilómetros da cidade de Ondjiva, província do Cunene, no Sul de Angola, carecem de serviços sociais básicos, de água potável e de medicamentos. A Cáritas de Angola começou a operar em 1970, como uma organização autónoma da Cáritas de Portugal.