Mais de 200 congoleses ilegais detidos em dois dias em Cabinda

A Polícia Nacional deteve, em dois dias, 237 cidadãos da República Democrática do Congo (RDCongo), que se encontravam ilegalmente na província angolana de Cabinda, divulgaram ontem, Terça-feira, 30, as autoridades locais.

Segundo informações fornecidas pelo porta- voz do Comando Provincial de Cabinda da Polícia Nacional, superintendente- chefe Feliciano da Mónica, a operação, denominada “Tempo”, realizou-se entre 24 e 26 deste mês, sendo o grupo detido integrado por 46 crianças. Feliciano da Mónica referiu que os cidadãos congoleses foram encontrados na aldeia e mata de Lolo, regedoria do Subatando, município de Cabinda, durante uma campanha de enfrentamento dos órgãos operativos do Ministério do Interior.

O responsável, citado pela Angop, referiu ainda que a operação visa a recolha de imigrantes ilegais, que se dedicam à lavagem de viaturas na via pública, venda ambulante e actividades em salões de beleza. O porta-voz da Polícia de Cabinda, província fronteiriça com a RDCongo, frisou que devido à operação, muitos imigrantes ilegais fogem para as matas com as respectivas famílias, para se dedicarem agora ao fabrico de carvão vegetal, derrubando árvores de forma anárquica. Segundo Feliciano da Mónica, muitos deles são contratados por cidadãos nacionais para trabalharem na agricultura, na cidade de Cabinda e arredores.

A referida operação será também realizada em zonas já identificadas por autoridades tradicionais, coordenadores e chefes de zonas do enclave de Cabinda. Recentemente, o ministro da Defesa de Angola, Salviano Sequeira, considerou que Cabinda merece o “máximo de atenção” pela sua especificidade geográfica, e que, apesar das “óptimas relações” com a RDCongo e a República do Congo, países vizinhos de Angola, a imigração ilegal representa um problema bicudo. “Cabinda é uma província que do ponto de vista estratégico merece o máximo de atenção. Não temos problemas de fronteira com a Namíbia, a Zâmbia e o Congo, porém, com a RDCongo, temos problemas de fronteira”, salientou Salviano Sequeira.