Cidadão esfaqueado no coração pela mulher em Benguela

Na transição de Sábado para Domingo, dia 4 de Fevereiro, na cidade das acácias rubras, um benguelense foi esfaqueado no coração, pela esposa. O golpe fatal assegurou que a vítima chegasse já morta ao hospital, apesar de transportada de imediato

Por: Zuleide de Carvalho, em Benguela

A testemunha que prestou socorro neste crime violento, ocorrido em Benguela, em que o malogrado, Nelson, foi esfaqueado pela esposa, no coração, declarou que o episódio sucedeu-se no final da noite de Sábado. Segundo comunicou o portavoz provincial da Polícia Nacional, Pinto Caimbambo, a vítima chamava- se Nelson de Pina e faleceu com 38 anos de idade, à partida, assassinado pela mulher, Ana Rosa de Sousa, de 44 anos.

Com a garantia de fornecimento de mais pormenores hoje, ontem foi apenas possível ao superintendente acrescentar que “a dona Rosa usou um punhal, faca, que está apreendida.” Quanto à precisão da investida, o porta-voz enunciou que “foi um golpe fatal, que nem chegou (vivo) ao hospital”, permitindo- lhe inferir que a suposta homicida tenha algum domínio sobre “os sítios vitais da pessoa”.

“Eram um casal exemplar” Narrando as circunstâncias que presenciou, Luíso Santos, vizinho e amigo do falecido contou: “sempre teceu conselhos bonitos para mim e para a minha mulher, também a esposa dele dava-nos sempre bons conselhos”. Logo, para si, não faz sentido o assassínio que abalou a rua onde vive, em Benguela, no último final de semana.

Nelson era proprietário de um pequeno espaço instalado no seu quintal, um bar. E, foi nesse lugar que foi visto pela última vez com vida, por amigos, vizinhos e clientes, incluindo-se a parcial testemunha ocular. Descontraído no bar do vizinho, Luíso Santos recorda-se que o proprietário, Nelson, informou aos clientes daquela noite que precisava de descansar.

Logo, desligou a música, recolheu-se e deixou o seu enteado a cuidar do atendimento. Luíso ausentou-se igualmente, por poucos minutos. Todavia, apesar da brevidade da sua ausência, quando retornou ao bar, o enteado do proprietário pediu-lhe socorro, dizendo que Nelson tinha de ser levado para o hospital. Entrando na casa do casal vizinho, “vejo o Nelson no chão a jorrar sangue”, tão repentinamente, quando “minutos antes (ele) veio ter comigo…”, contou.

Para si, é uma realidade que não faz sentido. Numa fracção de escassos instantes, o vizinho e amigo estava bem e, depois, tinha levado “uma facada no peito, bem no lado do coração”, narrou a testemunha. Vivendo ao lado, correu para ir buscar as chaves do carro e levou a vítima ao hospital mas, não foi a tempo de salvá-lo, pois “o Nelson faleceu no meu carro, aqui mesmo”, indicou.

Não havendo mais nada que pudesse fazer pelo amigo, voltou para a casa deste, tendo encontrado a suposta assassina, a esposa de Nelson, pronta para se entregar às autoridades. Dando-lhe boleia, levou- a ao S.I.C. Contando ter ouvido o depoimento prestado à Polícia pela presumível homicida, Luíso informou que a cidadã declarou ter agido em legítima defesa pois, o marido ter-lhe-á agredido fisicamente e ela recorreu à faca para se proteger.

Confuso com isto, Luíso enunciou que, enquanto esteve no bar, “não ouvimos briga, barulho, nada.” E, o que mais o espanta é que, “antes de ele falecer, eles eram um exemplo de casal a seguir.” Pronunciando-se sobre a convivência com o casal Nelson e Ana, Luíso Santos revelou que “várias foram as vezes em que ele e a esposa apareceram em minha casa e conversámos, como casais”.