Menor raptada e encarcerada durante seis meses na Huíla

Durante os meses de aflição da família, a suposta raptora ainda terá participado em várias operações de procura da vítima, ao lado da avó e das tias da mesma, de formas a não levantar suspeitas

Por: Milton Manaça

Uma cidadã de 39 anos, comerciante, foi detida neste fim-de-semana, acusada de ter raptado uma criança de 6 anos de idade e a ter mantido em cárcere privado na sua própria residência, durante seis meses. Tudo aconteceu em Agosto do ano passado, no bairro 14 de Abril, município do Lubango, província da Huila, quando a criança foi retirada secretamente de casa da sua avó, com quem vivia. A suposta autora do crime é identificada apenas como uma pessoa próxima à família da vítima.

Segundo contou o porta-voz em exercício da Polícia Nacional (PN) na Huila, Luís Zilungo, a OPAÍS, a vítima permaneceu despercebida na residência da suposta criminosa sem que a acção chamasse a atenção aos vizinhos.

A PN considera “tratar-se de uma subtração fraudulenta de menor, concorrido com cárcere privado. Na verdade foram seis meses e 11 dias que a criança ficou sob custódia da senhora”, disse Luís Zilungo.

A fonte explicou ainda que, nos meses em que a avó e as tias da vítima viveram angustiadas, andando de um lado ao outro, em busca de uma pista que as levasse até a criança, a suposta criminosa também acompanhava a família para afastar qualquer suspeita sobre si. Entretanto, depois de sucessivos apelos feitos pela avó através dos órgãos de comunicação social locais e igrejas, a acusada sentiu-se pressionada e voluntariamente foi entregar a vítima.

Diante dos familiares e dos efectivos da PN, a cidadã em causa terá dito que foi movida por sentimento de compaixão, alegando que a criança contou-lhe que era vítima de maus-tratos. Luís Zilungo disse que na residência da acusada existem outras crianças com quem a vítima brincava, todavia, foram orientados a não darem informação alguma à vizinhança sobre a presença da nova ‘inquilina’, assim como não deviam levá-la à rua.

A cidadã encontra-se detida no Comando Municipal do Lubango e será apresentada, hoje, juntamente com outros supostos marginais detidos durante o final de semana prolongado.