Morte por malária reduz na pediatria de Luanda

A instituição, que atende diariamente 400 crianças em todas as especialidades, continua a enfrentar uma gritante falta de médicos, apesar de ver reduzidas as mortes por malária

Por: Domingos Bento

Apesar de o país estar a viver a época chuvosa, um período propenso para o surgimento de doenças infecciosas, a Pediatria de Luanda – David Bernardino- tem vindo a registar redução no número de mortes por malária, segundo informações prestadas ao jornal OPAÍS pela chefe do banco de urgências daquela unidade sanitária, Juliana Miranda.

De acordo com a responsável, nesta época, normalmente o hospital recebe, em média, 70 casos de malária. Deste número, pelo menos 30 acabam sendo internados, dado o estado avançado da doença, mas, apesar da gravidade, reagem bem ao tratamento, facto que faz com que o número de óbitos oscile entre um a dois casos semanalmente. “Se olharmos para o mesmo período dos anos anteriores, notaremos que houve mudanças. Havia muitas mortes.

Chegamos a registar cerca de 100 internamentos diários, com um número de mortes bastante elevado. Mas, para a nossa felicidade, o quadro mudou”, frisou. A baixa na mortalidade infantil deve-se ao facto de o hospital, apesar de enfrentar uma carência de médicos, tratar os pacientes com mais eficiência, de forma a evitar que o quadro clínico da criança evolua. Esta redução está relacionada também com a disponibilidade de materiais gastáveis e fármacos.

A especialista, por outro lado, reconheceu que os pais e encarregados têm-se preocupado mais com os filhos, diferente dos anos anteriores, e procuram muito mais cedo a unidade, tão logo notam alguma alteração no estado clínico da criança, principalmente febres e vómitos. “É verdade que continuamos a ter muitos pais a chegar tarde, mas também há tantos outros que no primeiro sinal da doença procuram o hospital, e isso facilita o processo de tratamento”, sublinhou.

O Hospital David Bernardino continua a receber casos de várias partes do país, mas quanto a cidade capital, as maiores ocorrências são provenientes dos municí
pios do Cazenga, Kilamba Kiaxi e Viana, e são afectadas as crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos. Epidemia mãe: malária.

400 doentes dias Para além da malária, a chefe do banco de urgências da pediatria fez saber que a instituição tem registado também casos de anemia, infecções respiratórias e doenças diarreicas, que são preocupantes, pois, a não serem tratadas com a devida urgência, podem levar à morte. Ao todo (desde as consultas externas e banco de urgências), a média que o hospital atende, diariamente, é de 400 doentes.

A maior dificuldade, segundo Juliana Miranda, prende-se com o insuficiente número de médicos. “Caso os hospitais, a nível dos municípios, funcionassem, talvez não houvesse necessidade de termos aqui muitos médicos. Há respostas que podiam ser dadas nas comunidades sem terem que chegar à Pediatria. A especificidade do nosso serviço é para atender casos mais complexos, mas, ainda assim, continuamos a recepcionar ocorrências que podiam muito bem ser tratados nos centros e hospitais comunitários”, atestou.