Diálogo com pais gera resultados positivos no primeiro dia de aulas

Diferente de anos anteriores, no primeiro dia de aulas as escolas de Luanda registaram uma presença aceitável de alunos e professores. Os responsáveis da Educação atribuem o feito ao diálogo mantido com os encarregados de educação.

POR: Domingos Bento

Primeiro dia de aulas nas escolas de Luanda foi marcado por uma aderência considerável de alunos, professores e funcionários administrativos que, desde as primeiras horas da manhã, lotaram os estabelecimentos escolares em números consideráveis. Diferente dos anos anteriores, quando os primeiros dias de aulas eram marcados por um acentuado nível de absentismo, este ano a realidade foi completamente diferente, com os discentes a preencher em massa as salas. É o caso das escolas 727, vulgarmente conhecida por Ana Paula, Puniv, Escola da Jota e complexo Escolar, todas no município do Cazenga.

No município do Talatona. A mesma realidade foi testemunhada na escola General Pedalé. As escolas 1º de Maio e Ngola Kiluanje, no município de Luanda, também registaram uma excelente afluência de alunos. Nas escolas que o OPAS visitou, os directores e outros responsáveis apontaram o diálogo e a chamada de atenção aos encarregados de educação como estando na base desta mudança. Durante o processo de matrículas e confirmações, os pais foram chamados à razão sobre a necessidade de enviarem os seus educandos cedo à escola, sob pena de estes correrem o risco de serem expulsos por excesso de faltas.

A directora municipal da Educação do Cazenga, Isabel Leitão, disse que, nesta primeira fase, faz-se um grande apelo por via dos órgãos de comunicação social para incentivar os alunos a irem à escola. Mais do que punir os mais distraídos, a responsável revelou que a sua direcção tem conversado com os encarregados de educação para que estes sejam os primeiros a colaborar no arranque e bom funcionamento do ano escolar. “Há uma vontade geral. Os alunos querem estudar e os professores estão dispostos a ensinar. Há uma grande motivação. Ninguém quer ficar parado. E isso agrada-nos porque o nosso apelo funcionou. Mesmo os alunos que estão ainda relaxados, temos a certeza de que no mais curto espaço de tempo virão. Vamos é reforçar o diálogo juntos dos encarregados de educação”, acrescentou.

Condições garantidas

Já no município da Quiçama, as escolas da vila da Muxima foram as que apresentaram maior afluência de alunos e professores. Seguem- se-lhes as escolas da comuna de Cabo Ledo que também registaram uma presença considerável de estudantes que para a casa levaram a primeira matéria do ano. Já os estabelecimentos de ensino das comunas de Dembo Chio e Mumbondo não alcançaram resultados satisfatórios, mas há garantias de melhorias ao longo da semana, conforme prometeu ao OPAIS o director local da Educação, Joaquim Cabungula. Segundo o responsável, o trabalho de auscultação, diálogo e orientação dos directores e responsáveis dos estabelecimentos escolares a nível do município permitiu alcançar um saldo positivo no primeiro dia de aulas do ano lectivo 2018. Conforme frisou, os professores, directores e outros responsáveis escolares foram orientados a estabelecerem uma comunicação permanente com os encarregados de educação para que estes se disponham a enviar os seus educandos às aulas.

“A afluência que tivemos é resultado de todo um trabalho em conjunto entre nós e os encarregados de educação. E não vamos parar. Vamos continuar, porque os alunos devem sentir-se à vontade na escola. Para isso, as escolas devem criar condições materiais e emocionais para o efeito. Vamos continuar a trabalhar com os pais por serem eles os nossos parceiros”, garantiu. Por outro lado, diferente dos outros municípios de Luanda, Joaquim Cabungula ressaltou que a Quiçama tem livros e manuais escolares da reforma educativa em quantidades suficientes para distribuir aos alunos matriculados. Sem precisar as quantidades, o responsável sublinhou que o défice regista-se apenas para a terceira e a quarta classes. “O stock reservado vai permitir-nos um ano lectivo sem grandes sobressaltos. Aqui as pessoas são muito solidarias, e não temos registado a venda deste tipo de material no mercado informal”.