Quando a manta é curta

A Sonangol vai levar uma facada na fatia que lhe cabe no Orçamento Geral do Estado. Do dinheiro retirado do bolo da petrolífera será colocado na área social, educação e saúde. É uma boa notícia para todos os que defendem o aumento de dinheiro para o sector social, mas não se faz justiça.

POR: josé Kaliengue

A Sonangol, como se sabe, está ela própria atolada em dívidas, precisa de dinheiro. Ora, o que temos é uma manta muito curta, se se puxa para um lado deixa- se obrigatoriamente o outro lado descoberto, e em termos de dinheiro estamos a viver um Cacimbo rigoroso. Por outro lado, as reclamações para os ajustes orçamentais neste ou naquele sector, porque toda a gente se queixa de estar a receber pouco, esquecem- se de um ponto importantíssimo, talvez aquele que melhor poderia equilibrar o orçamento e a funcionalidade das áreas, estou a falar da corrupção, dos desvios, do roubo e da má gestão. Há décadas que se diz que vai pouco dinheiro para o sector social, mas nestas mesmas décadas muitos directores municipais, provinciais, nacionais e ministros da Saúde e da Educação geriarm mal e alguns ficaram, ao que se diz, ricos. Têm os nomes associados, na praça pública, talvez até injustamente, a clínicas, colégios e universidades. Fico sem saber se o dinheiro é pouco, ou se é mal usado. Comparando com outros países, talvez devéssemos experimentar fazer bem com o dinheiro que temos.