Uíge prevê a realização da bolsa do café

Após um ano de paralisação, a única bolsa do café no país pode retomar a actividade, caso se façam acordos com empresas que compram o produto para ajustar o preço entre produtores e compradores, referiu o director da agricultura no Uíje, Eduardo Gomes.

POR: Patrícia de Oliveira

Sem a realização da maior feira do café, o ano transacto os produtores do bago vermelho viram- se forçados a venderem-no de forma restrita ao preço de Kz 150 a Kz 200 o quilograma. Porém, este ano, o quadro pode mudar com a retomada da maior feira da venda de café no Uíje. Segundo o director da Agricultura na terra do bago vermelho, Eduardo Gomes, a bolsa do café paralisou pelo facto de o produto estar a ser comercializado no mercado a um preço baixo, o que cria dificuldades aos comerciantes.

“Gostaríamos que o Ministério da Agricultura apostasse na mecanização dos campos de cafezal, pois, deste modo, iria facilitar os produtores, porque os custos são muito onerosos e a produção não é compensadora para o agricultor”, disse o responsável. Eduardo Gomes salientou que o café produzido na província era exportado para os mercados europeus e do Médio Oriente, frisando que, no entanto, a receita que origina para os produtores não é compensadora. Disse ainda que estão a ser feitos contactos para que a bolsa do café volte a funcionar, desde a produção até à comercialização. “O ano transacto houve grande procura do café. O produto representava a entrada de divisas para o país, pois era comercializado no exterior”, disse.

A província conta com 9.292 produtores de café, com destaque para a produção do café do tipo ‘robusta’. No segundo semestre de 2016, durante a realização da 3ª edição da Bolsa do Café, na província do Uíge, foram registados resultados assinaláveis, fruto das parcerias entre os produtores e comerciantes, bem como da entrada, nesse segmento de mercado, de mais operadores nacionais e estrangeiros. O ano transacto os cafeicultores tinham previsto colher seis mil toneladas de café-mabuba (com casca), numa altura em que os preços estavam estipulados, por quilo, em Kz 160 para o café-mabuba e Kz 300 para o comercial.

Mais 4 milhões de toneladas de raízes e tubérculos

De acordo com o director provincial da Agricultura no Uíje, o sector que dirige prevê uma grande produção na presente campanha agrícola. Registou-se um aumento de empresários agrícolas, cujo número passou de 245 mil para 275 mil. No geral, foram semeados 530 mil hectares, tendo 527 mil sido trabalhados manualmente, enquanto 2.635 hectares contaram com a ajuda de tractores. Segundo o director provincial, para este ano estima-se uma produção de 4,5 milhões de toneladas de raízes e tubérculos, 136.365 toneladas em termos de leguminosas, 12.891 toneladas de cereais, 947.503 toneladas de frutas diversas, com destaque para a produção da banana, e 77.446 toneladas de hortícolas.

Dificuldade

Para Eduardo Gomes a principal dificuldade dos agricultores continua a ser a falta de mecanização agrícola nos campos, insuficiência de recursos humanos qualificados para lidar com as pragas, fraca capacidade dos produtores rurais, degradação das vias de comunicação para escoar os produtos, falta de unidade para transformar o excedente de produção, insuficiência de estruturas de apoio, concretamente residências e escritórios e a dificuldade em vender a produção. Questionado sobre o que está a ser feito para minimizar as dificuldades que os produtores enfrentam, referiu que o Governo pretende solucionar os problemas, porém, tendo em conta a situação económica no país, ainda nada foi feito. O responsável apela ao lançamento de mais projectos empresariais na província, dado que esta possui condições favoráveis para a produção em grande escala. Neste momento, estão registadas 275.859 empresas agrícolas familiares, 868 associações, 49 cooperativas e 967 pequenos agricultores.

Projecto

Eduardo Gomes referiu que, a nível da província do Bago Vermelho, estão em curso dois projectos empresariais, nomeadamente no município do Negage e Sanza Pombo A fazenda Sua Norte, localizada no município do Negage, dedica-se à produção de milho, soja e hortícolas, enquanto a empresa Sanza Pombo, situada no município com o mesmo nome, produz milho e arroz. Em termos de produção de arroz contou com 2 mil toneladas em 2017. O Uíje tem como principais culturas o café, banana e a mandioca.