Oito mil casos de malária em sete dias em Benguela

A debilidade no saneamento básico, agravada com a irregularidade na recolha de resíduos sólidos, e a escassez de medicamentos, são apontados como algumas das causas do surto de malária

Por: Constantino Eduardo, em Benguela 

Um surto de malária na província de Benguela, associado ao débil saneamento básico, provocou cerca de oito mil casos nos últimos sete dias, período em que as autoridades sanitárias registaram mais de quarenta mortes. Preocupadas sobretudo com a proliferação de focos de lixo, que colocam a província exposta à cólera, as autoridades acreditam na existência de mortes extra-hospitalares.

O município da Ganda, com 2.760 casos e 20 mortes, é o que inspira mais cuidados, tendo provocado a deslocação ao local, há três dias, do secretário de Estado para a Saúde Pública, José Cunha, com o intuito de se informar sobre a situação vigente e traçar a estratégia para se inverter o quadro.

A debilidade no saneamento básico, agravada com a irregularidade na recolha de resíduos sólidos, por causa da dívida do Governo para com as operadoras, avaliada em 16 mil milhões de Kwanzas, é apontada como a principal causa da doença. Outro aspecto a ter em conta é a escassez de medicamentos, o que obriga os pacientes a adquiri-los em farmácias privadas.

“O hospital, aqui no Chongoroi, não tem medicamentos”, lamentara dona Bibiana, depois de um dos filhos ter sido diagnosticado com malária. O Gabinete Provincial da Saúde lamenta o facto de muitos casos de malária terminarem em óbito. Na província, a Ganda é o município que inspira cuidados.

“Só numa semana, nós registámos 2. 760 casos, dos quais 20 terminaram em óbito. Com o município do Bocoio, nós temos 931 e 7 termina(ra)m em óbito; Balombo 2.286 e 7 termina (ra)m em óbito. Temos ainda o município do Lobito com 588, 3 terminando em óbito. O município de Benguela com 470, 3 terminaram em óbito; Cubal e o Caimbambo têm um óbito cada um, onde o Cubal tem 341 casos, o Caimbambo com 901.

De realçar aqui que também a Baia-Farta tem 203 casos ”, revelou a porta-voz do Gabinete Provincial da Saúde, Rosalina Cassissa. Aparentemente impotente perante tal cenário, o Gabinete Provincial da Saúde, no âmbito das suas prerrogativas, avança o seu responsável, Manuel Cabinda, vai accionando medidas de prevenção com a distribuição de mosquiteiros para conter a vaga de transmissão pelo vector causador da doença.

O responsável refere que, nesta altura, há um surto de malária que afecta fundamentalmente as crianças menores de 5 anos e salienta que o ministério baixou orientações para a direcção que dirige trabalhar junto com as administrações municipais na melhoria do saneamento do meio e a intensificar as actividades de fumigação anti-larval, “e adiantar com o diagnóstico precoce das crianças”, assevera. Por seu turno, o secretário de Estado para a Saúde Pública manifesta-se preocupado com a situação da malária nos municípios do Cubal e da Ganda, assim como com a falta de enfermeiros e médicos nas unidades hospitalares.

José Cunha trabalhou recentemente em Benguela com o propósito de avaliar o quadro do surto de malária que está, de certo modo, a alarmar as autoridades locais. “O quadro actual não é muito bom”, reconhece o governante, apontando a deficiência do saneamento básico como factor.

“As medidas anti-retrovirais não estão a ser tomadas na sua plenitude, por razões conhecidas. Em relação ao tratamento, nós consideramos que a situação não é assim tão grave, há medicamentos, no entanto, há uma grande falta de médicos e enfermeiros”, disse, garantindo que o seu Ministério já tem estudos equacionados visando colmatar o défice que, além de Benguela, afecta outras províncias.