Mais de 100 crianças com câncer atendidas por semana no IACC

O Instituto Angolano de Controlo de Câncer (IACC), o único hospital público especializado no país, recebe 35 casos de crianças para consultas diárias, quimioterapia e avaliação de toxicidade e de urgências de cancro. Número este que, multiplicado pelos cinco dias úteis, perfaz 175 pacientes por semana. Assinala-se hoje o Dia Internacional da Criança com Câncer.

POR: Maria Teixeira
fotos de Santana Joaquim

O câncer infantil apresenta um crescimento, tornando-se um caso de saúde pública e provocando uma série de transformações na dinâmica familiar, segundo especialistas. Há quatro anos que a rotina da família de Margarida Martinho, de 11 anos, mudou completamente após ter sido diagnosticado um carcinoma espino celular (considerado o segundo tipo mais comum de câncer de pele que cresce frequentemente nas áreas mais expostas ao sol).

Elvira Marta, a mãe, conta que tudo começou aos 7 anos idade quando a menina, albina, começou a ter manchas na pele e bolhas “estranhas”. Na altura, foi submetida a uma intervenção cirúrgica em Benguela, sua terra natal, mas que não surtiu o efeito esperado. Na esperança de inverter o quadro, a sua progenitora trouxe-a á cidade de Luanda, que passou a ser a sua segunda casa. Actualmente, ela integra o grupo de crianças que diariamente acorrem ao Instituto Angolano de Controlo de Câncer para beneficiar de consultas, quimioterapia, avaliação de toxicidade e de urgências de câncer entre outras.

Em 2017 voltou a ser submetida a uma cirurgia cujos resultados ainda não são satisfatórios. Elvira, com semblante de tristeza, apontou falta de dinheiro para a compra dos fármacos, bem como para se manterem na capital, como uma das maiores dificuldades que enfrentam de momento. Conseguiram adquirir as passagens de autocarro, fruto das contribuições dos familiares. A viagem para acompanhar a filha em tratamento suscita um outro tipo de situação e a separação de ambas dos outros membros da família. Segundo ela, isso tem agudizado ainda mais sofrimento que, algumas vezes, é afogado com choros. “Nós viemos de Benguela e neste momento eu sou pai e mãe de quatro filhos. Estou desempregada e sustento a minha família vendendo alguns produtos num dos mercados informais da nossa província”, desabafou. Acrescentou de