Arreou-arreou

Sim, está na moda. Depois da primavera árabe a moda é o arreou-arreou aos presidentes africanos. Foi assim com Mugabe e agora é assim com Zuma, ambos no limite dos seus mandatos, faltando meses apenas e ambos apeados pelos seus próprios partidos.

POR: José Kaliengue

Pode-se falar de pragmatismo partidário, sacrificando o líder que deve arcar com todas as culpas e piscando o olho aparentemente reconstituído e belo ao eleitorado. Duas lições: a concentração de poder excessivo dá nisso, de ser o único culpado, todos lavam as mãos e voltam a ser virgens; segunda, a dignidade está na hora da saída. Melhor sair pelo próprio pé e ficar na bancada a assistir ao desenrolar do jogo. Mas mesmo aí, como se sabe, e por se tratar de política, haverá sempre a tentação de empurrar quem está de saída. A humilhação do outro é um ganho a que os políticos raramente resistem.

No Brasil, Dilma Roussef também foi apeada pouco mais de um ano antes do fim do seu mandato, mas aí foi diferente, foi o parlamento, os seus adversários políticos. Em África é dentro da casa partidária. Agora temos de esperar só mais um pouco até às eleições no Zimbabwe e na Áfricado- Sul para depois vermos como se comportarão os “revirginados” não tiveram nada a ver com a governação “anterior”. Vamos também esperar para vermos até quando os eleitorados continuarão a deixar-se levar por tais jogadas. Bem, no empurra-empurra do Egipto saiu um militar e está lá outro militar.