Falsos funcionários afligem utentes das conservatórias de Cacuaco e do Cazenga

Devido à demora verificada no atendimento e emissão de documentos, muitos utentes dos serviços de identificação de Cacuaco e do Cazenga vêem-se obrigados a recorrer a homens e mulheres que se fazem passar por funcionários destas instituições, pagando valores exorbitantes, de forma a que as suas preocupações sejam resolvidas

Por: Domingos Bento

Ao verem o sofrimento das pessoas nas longas filas de espera, os falsos funcionários aproximam-se e tentam, de qualquer forma, convencer o utente a contratar os seus serviços. A promessa é de que, em pouco tempo são capazes de emitir qualquer tipo de documento que na via normal leva dias para estar pronto.

A boa apresentação e comunicação destes funcionários fantasmas que, nalguns casos, usam passes falsos, atrai os populares aflitos. Para se livrarem da demora, os utentes são obrigados a desembolsar de 18 e os 40mil Kwanzas. Segundo os populares, estes falsos funcionários, grande parte deles jovens, chegam cedo às repartições de identificação civil e desdobram- se de um lado para o outro, pelos espaços destas instituições públicas.

Conforme constatou o OPAIS, os principais alvos são pessoas de certa idade, cidadãos provenientes do interior do país, mulheres grávidas e utentes cuja condição física não permite esperar na fila. Rosa Miguel, 41 anos de idade, desembolsou cerca de 25mil kwanzas por um acento de nascimento que, em vias normais, custa menos de 5mil.

Mas, a pressa de ver o seu problema resolvido e a morosidade registada no atendimento levaram-na a acreditar nos serviços de um falso funcionário que lhe garantiu ser trabalhador sénior da repartição municipal de identificação do Cacuaco. Além da entrevistada, o falso trabalhador convenceu outras três pessoas, levando, num curto espaço de tempo, 75 mil kwanzas.

“Todos nós estivemos longe de pensar que o senhor fosse um falso funcionário. Quando veio ter connosco, saía de dentro da Conservatória. Depois de receber o dinheiro, pediu-nos que ficássemos atentos às chamadas na janela. Inclusive deu o número de telefone para que, em caso de demora, ligássemos.

Mas foi tudo mentira”, explicou. Segundo ainda a senhora, diligências foram feitas no sentido de se localizar o falso funcionário, mas tudo foi em vão. “Procuramos o homem por tudo quanto é canto, mas não achámos. Os trabalhadores da Conservatória e os guardas disseram que não o conheciam. E o número de telefone já não chama”. Outra vítima é Diógenes dos Santos, 38 anos, utente da 6ª Conservatória do Cazenga. Na semana passada foi burlado 35mil Kz, quando tratava da cédula de nascimento do seu filho. Conforme contou, o filho, de 12 anos, vivia com a mãe.

A progenitora faleceu e o pai sentiu a necessidade de o registar. Devido à demora no atendimento, foi obrigado a cair na conversa de um desconhecido que se apresentou como funcionário da referida conservatória. O falso funcionário apresentou, inclusive, um passe que atestava ser responsável de uma das áreas daquela instituição de utilidade pública.

Sem olhar atrás, Diógenes pagou 35 mil kwanzas por um documento que na via normal, custa abaixo deste valor. “Confesso que em momento algum desconfiei do senhor. Parecia verdadeiro, mas mais tarde, de tanto esperar, é que dei conta de que tinha sido burlado”, atestou.

Eficiência é a saída Berta Ndipa, que também foi alvo destes burladores, disse que os casos só tendem a aumentar devido à lentidão registada nos serviços de identificação civil. Para ela, essas ocorrências só diminuirão se houver, por partes das instituições, celeridade e eficiência no atendimento aos utentes dos seus serviços.

Já as duas Conservatória contadas, até Sexta- feira à tarde, pelo OPAIS, não se pronunciaram sobre o caso. Trabalhadores destas instituições, que falaram sob o anonimato, afirmaram desconhecer os tais funcionários fantasmas e que só dão tratamentos a casos que obedecem aos trâmites normais. “O normal é o utente chegar cedo aqui, pôr o nome na lista e aguardar a chamada.

Quando as pessoas recorrem a outras práticas, isso deixa de ser nossa responsabilidade”, apontou uma funcionária da repartição de Saúde de Cacuaco. Por outro lado, todos os lesados que conversaram com o OPAIS afirmaram não terem dado participação da ocorrência à Polícia, alegando que a descoberta da burla fez com que perdessem a força de recorrer a Polícia.