A Sonangol e o mata-mata

Bem, vamos lá ser directos. O que se está a fazer à Sonangol não é nada bom. Há pelo menos cinco anos que a empresa anda na boca do mundo pelas piores razões. Agora estamos na onda das acusações e contra-acusações. Ninguém ganha com isso.

POR: José Kaliengue

Há provas de irregularidades? Então a PGR ou a Inspecção Geral do Estado que se ponham em campo. O que não pode acontecer é que cada novo Conselho de Administração nos distraia acusando o anterior disto e daquilo, para o conselho seguinte vir fazer exactamente o mesmo. O actual Conselho de Administração, nesta lógica, não se livra, e, como não é eterno, o próximo virá destapar-lhe coisas que nos deixarão arrepiados. A Sonangol teria de viver momentos de crise profunda, era inevitável, se pensarmos que a empresa serviu para tudo, desde operações normais às menos ortodoxas no tempo da guerra. A Sonangol já foi o único sustentáculo do Estado. Claro que houve quem se aproveitasse, claro que serviu para viabilizar e apaziguar processos que apenas a história explicará. Claro que pagou tratamento médico até de gente da Oposição. Deu para tudo, para farras e também para manter o Estado e a democracia. Não adianta fingir que ela foi sempre uma empresa de um país estável, democrático e altamente transparente. O que acontece agora é que estamos a desconseguir gerir a empresa nos novos tempos. Pior ainda, não estamos a saber lidar com a sua história. Resultado: entramos num mata-mata que anima o povo, mas que pode ferir de morte a empresa nos mercados internacionais do petróleo, altamente peculiares e sensíveis.