Jornalistas do Centro-Sul capacitados em técnicas de reportagem

Jornalistas das províncias do Huambo, na qualidade de anfitriã, Bié, Cuando- Cubango, Cuanza- Sul e Benguela sentaram-se à mesma mesa, durante três dias, para consolidarem conhecimentos em matéria de “Reportagem jornalística” numa acção formativa regional promovida pelo Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR).

POR: Constantino Eduardo,
enviado ao Huambo

No quadro da estratégia do Governo de Angola de dotar os jornalistas de órgãos públicos e privados de ferramentas técnicas, o Ministério da Comunicação Social propõe-se promover, ao longo deste ano, uma série de acções formativas com o objectivo de elevar o nível cultural e intelectual dos profissionais de comunicação, tendo em vista os desafios do país. Durante os três dias, foram aprimorados os conhecimentos sobre reportagem jornalística em que os profissionais, sedentos de conhecimentos técnicos, questionavam os formadores sobre cada aspecto elucidado.

A oportunidade serviu para os formandos consolidarem as técnicas de elaboração de uma reportagem bem estruturada, por ser o género que mais criatividade exige do jornalista. “Às vezes, demonstramos debilidades nas reportagens, por ser o género mais difícil”, reconhece Rita Solange, da RNA/Cuando- Cubango. Entretanto, Rui Fernandes, da Rádio Mais-Benguela, louva a iniciativa do Ministério da Comunicação Social que, através do CEFOJOR, permitiu- lhe consolidar e absorver mais conhecimentos sobre técnicas de elaboração, tendo por outro lado, considerado salutar a interacção verificada entre os profissionais provenientes da região Centro-Sul de Angola. “A interacção foi boa”, declarou. “Os jornalistas demonstraram muito interesse em aprender, por isso foi bom partilhar e transmitir- lhes conhecimentos sobre o género reportagem”, considerou Africano Neto, um dos formadores, formulando votos de que os jornalistas apliquem os conhecimentos ministrados com o devido esmero.

O ministro da Comunicação Social, João Melo, defende o espírito crítico na classe, porém no limite da factualidade e objectividade que caracterizam o jornalismo, um facto que exigirá do profissional um apuramento cabal dos factos antes de os divulgar. Por outro lado, o governante recomenda o cuidado a observar no manuseio das informações divulgadas nas redes sociais.“Há muitos patetas e muitos bandidos à solta nas redes sociais. Bandidos e patetas sempre houve, só que antigamente conversavam no bar, agora têm uma plateia”, alertou, quando presidia a palestra que marcou o encerramento da acção formativa subordinada ao tema “Discurso jornalístico da actualidade”. Aparentemente insatisfeito com a prestação jornalística, João Melo afirma que existem muitos preguiçosos nas redacções, que se movem apenas por notas institucionais e apresentam sérias debilidades de transformar os comunicados em notícias. “Há muitos preguiçosos à espera de comunicados”. A sua aposta, asseverou João Melo, enquanto estiver à frente dos destinos do pelouro, passará pela formação de quadros, por representar um dos problemas que herdou no ministério.

Cheira à censura jornalística no interior

A censura afigura-se como uma das preocupações que apoquentam a classe jornalística no interior do país, precisamente nas províncias do Bié e Cuando-Cubango, alegadamente protagonizada por órgãos dos respectivos Governos Provinciais. Aproveitando a presença do ministro da Comunicação Social, os jornalistas dessas regiões falaram da sua experiência quotidiana algo caracterizada pela censura, tendo solicitado ao titular do pelouro, João Melo, uma intervenção institucional no sentido de reverter o quadro e, por conseguinte, conformarem- se com os pressupostos constitucionais e legais, instrumentos que consagram a liberdade de imprensa e de expressão.

Os profissionais sentem-se violados nos seus direitos, alegadamente por órgãos do Governo e asseveram que as circunstâncias político-administrativas vigentes naquelas províncias, sujeitam-nos a informar apenas o que for do interesse do “chefe”, quando, segundo alegaram, o jornalismo não se compadece com essa prática. Para sustentar a preocupação apresentada ao ministro, os profissionais da TPA no Cuando- Cubango referiram-se a uma matéria sobre um bem público que havia sido vandalizado. Segundo avançaram os jornalistas, ansiosos por mais informações para corporizar a peça, e observando o princípio do contraditório consagrado pela deontologia jornalística, contactaram os órgãos do Governo, e estes ameaçaram-lhes ao ponto de arquivarem a matéria. A vice-governadora do Cuando-Cubango para o sector Político e Social, Sara Mateus, refutou tais acusações, alegando que as mesmas não correspondem à verdade.

“Se isso fosse verdade, o senhor jornalista não estaria aqui”, evocou a governante, ao que se seguiram rumores no, anfiteatro da RNA, onde, além de jornalistas, estiveram presentes o governador provincial do Huambo, João Baptista Kussumua, estudantes de comunicação social, vice-governadores, entre outras entidades. Entretanto, relativamente a este assunto, o ministro afirmou que os profissionais jamais deviam permitir que uma acção intimidatória perturbasse o seu trabalho jornalístico, porém referiu que Angola, aos poucos, está a instalar um novo paradigma político-administrativo para o qual são chamados todos os segmentos sociais. “Acho que não deviam arquivar a matéria, deviam publicar”, disse. Um jornalista confidenciou a OPAÍ S que o quadro das liberdades (de imprensa e de expressão) no Huambo, não foge muito ao do Cuando Cubango e do Bié, embora assinalasse que, com a nomeação de João Baptista Kussumua para governador, o cenário tende a melhorar, porquanto já se verifica alguma inversão do quadro. “Antigamente, tínhamos a bófia (Serviços de Informação e Segurança do Estado) atenta a tudo o que fazíamos. O novo governador está a fazer um grande trabalho no âmbito da mudança de mentalidades”, revelou o profissional, sob anonimato.