Editorial: Jogo extremo

Em Portugal, como se pode facilmente notar, o futebol comanda a vida. Os noticiários têm o jogo da bola sempre em primeira linha. Os protagonistas, bem, nem isso, os dirigentes dos clubes tornaram- se pessoas importantes. Montaram o seu próprio espectáculo, extra-campo, onde são estrelas cintilantes, e que ofuscam até os artistas do relvado. As televisões dão mais tempo ao futebol do que o que dão a assuntos de política, sociedade e aos livros. Um país particular, digamos. Mas a máquina gera dinheiro, muito, incluindo para alimentar clientelas e a corrupção. Em Angola estamos noutro extremo. O futebol é desinteressante, os atletas não falam, os treinadores não falam, os dirigentes falam pouco e mal. Claro, aqui não se faz dinheiro algum.