Editorial: Vigilância e resposta

Um dos maiores problemas dos angolanos prende-se com a protecção do Estado, ou com a falta dela, em termos alimentares. A alimentação em Angola é das mais caras do mundo e é também das menos seguras. Ou seja, paga-se para morrer. É inadmissível que as autoridades angolanas tenham levado o tempo que levaram para agirem no caso dos produtos sul-africanos contaminados com bactérias perigosas quando em Moçambique, por exemplo, as autoridades agiram de forma mais rápida, mal se soube da presença da bactéria listeriose em alguns alimentos importados. Aliás, por que pagam os angolanos tão caro para que as autoridades ajam sempre, e tardiamente, a reboque de alertas internacionais, quando, sobretudo em períodos pré-eleitorais, são anuncia- dos e inaugurados, ou reinaugurados laboratórios sempre apresentados como estando nos padrões do que se exige no mundo avançado? O que fazem os Serviços Veterinários, os laboratórios dos ministérios da Agricultura, do Comércio e ainda o de Saúde Pública? Está visto, não há vigilância e respostas só quando os outros agem. Nós imita- mos.