O fim da festa

Já estávamos fartos, de facto, daquele festival macabro nos écrans da televisão, de gente suposta- mente de bem a desfilar num tapete vermelho estendido pelas nossas autoridades em nome de supostos negócios de investimento estrangeiro que beneficiariam os angolanos. Sim, era vê-los levados ao colo, com direi- to a uma obrigatória presença da imprensa.

POR: José Kaliengue

Era vê-los rodeados e protegidos por altas individualidades angolanas, anunciando valores que se injectariam na economia, o número de postos de trabalho a criar, etc. De quando em vez até chegaram ao descaramento de lançar a primeira pedra de um projecto mirabolante, uma fábrica de componentes para a indústria de alta tecnologia, por exemplo. Um breve olhar para o passado, que nem precisa de ser muito lá atrás, mostra-nos como afinal somos ricos de nada. Se somarmos as intenções, os contratos, as inaugurações, encontra- remos números que nos põem no primeiro mundo. Tudo balelas, tudo roubo. Agora rebentou o escândalo com supostos empresários tailandeses, seria bom que a seriedade nesta investigação cavasse fundo e fosse buscar brasileiros, israelitas, portugueses, indianos, árabes e, claro, os seus parceiros angolanos. Se aqueles fugiram, ao menos estes paguem na justiça o mal que se fez ao país e a muitas famílias. Começando pelo Build Angola. Quem facilitou a cedência de terrenos para aquela farsa em quase to- do o país? Esperemos que na Tailândia tenha ter- minado a festa.