Sentidos opostos

O discurso político angolano sobre a Educação aponta para um sentido muito positivo. Aliás, estudar já foi até um dever revolucionário.

POR: José Kaliengue

E deve continuar a ser, se pensarmos na revolução como a reinvenção constante da vida e busca pelo progresso. O Estado tem feito investimentos na educação, queira-se ou não, suficientes ou não. Mas depois deparamo-nos com dois problemas que o próprio Estado levanta, ou que não tem sabido resolver, e que emperram, ou sabotam esse esforço de construção de um novo país baseado na capacidade de os seus cidadãos interpretarem o mundo e de o transformarem, esforço esse que passa obrigatoriamente pela instrução e educação. Estes dois problemas são a forma como se aplica os investimentos, nem sempre de maneira eficiente, e também as falhas de serviços adjacentes do próprio Estado, como os transportes públicos, a assistência social, a manutenção das instalações etc.. Se os serviços adjacentes para uma boa integração escolar falham, o que temos são números como os de Benguela, em que, num ano apenas, 151 mil crianças abandonaram a escola. Se se somarem os números de desistências ao longo dos anos, bem, dará para vermos como cresce o problema e como o discurso e a prática podem andar em sentidos opostos.