III Volume da trilogia “Origens do Reino do Kongo” apresentado na UEA

O III Volume do livro “Origens do Reino do Kongo”, da autoria de Patrício Batsîkama foi apresentado ao público durante a tradicional “Maka à Quarta-feira”, na sede da União dos Escritores Angolanos, em Luanda

POR: Jorge Fernandes

O livro tem 360 páginas divididas em quatro capítulos, designadamente “Origens do Reino do Kôngo consoante os autores antigos, “Autores contemporâneos sobre a Origem do Kongo”, “Origem do Reino do Kôngo de acordo com a Tradição Oral” e “Como terá sido fundado o Reino do Kôngo”. Durante o acto de apresentação, o autor da obra Patrício Batsîkama, que contou com a presença de académicos, historiadores, estudantes, antropólogos e interessados em leitura, disse que a obra resulta de um trabalho de pesquisa que iniciara em 1994, tendo culminado em 2012, ano em que a mesma foi apresentada pela Universidade Federal de Paraíba, no Brasil, e em Angola apenas agora. Lembrou que os livros anteriores foram lançados pela Mayamba Editora, sendo o I Volume

“Origens do Reino do Kôngo” (2010), “O Reino do Kôngo e a sua origem meridional” (2011) e “Origem do Reino do Kongo – Consoante a Bibliografia e a Tradição Oral”, estando previsto ainda para esse ano, o livro “Reino do Kongo- Origens, Sociedade, Política e Economia”. O III volume, realçou, é um resumo dos que foram anteriormente publicados, pelo facto de o Reino do Kongo ter sido já na época bem organizado socialmente. Por outro lado, o historiador assegurou que fruto das entrevistas orais e por consultas bibliográficas, ele concluiu que o “Reino do Kongo”, aquando da sua fundação, contava com 144 tribos diferentes Falou também da importância da cidade de Mbanza Kongo, hoje elevada à categoria de Património Cultural da Humanidade, não obstante existam vários elementos que carecem de investigação, pelo facto de muita bibliografia não estar escrita em português.

Línguas nacionais A valorização das línguas nacionais foi outro elemento apresentado e defendido pelo historiador, que acredita que, com a introdução dessas línguas ao nível do sistema de ensino, desde a iniciação ao superior, haverá mais uma inesgotável fonte de investigação. Continuar a trabalhar para que a história não seja apagada, a adequação dos programas de ensino nas línguas nacionais, bem como a produção de conhecimentos de forma sistematizada, é outro desafio a ter em conta, pois Angola é um Estado-Nação que agrega todos os angolanos numa perspectiva multicultural.

Reações

José Baptista, estudante que testemunhou o acto, em declarações a OPAÍS, considerou a obra de importante, na medida em que traz elementos novos das origens do Reino do Kongo, e ainda tem mais importância pelo facto de a maior parte da História de Angola ser apenas oral. Para o estudante, documentar-se a partir dessas pesquisas agrega valor aos pesquisadores em temáticas históricas. Laura Afonso, por sua vez, disse, só pelo facto de os portugueses pisarem o solo angolano por via do Reino do Kongo é deveras importante a constituição de todo o seu manancial histórico em livro.

O autor

Patrício Batîsikama é licenciado mestre em História e doutor em Antropologia Política e pós-doutorado em História e Ciências Políticas. Autor de vários livros e artigos científicos. Docente, actualmente do Instituto Superior Politécnico Tocoísta, na cadeira de História de África e director do Centro de Estudo e Investigação Aplicada. Passou por outras instituições enquanto docente, entre as quais, o Instituto Nacional de Formação Artística, Instituto Superior Metropolitano e na Universidade António Agostinho Neto, concretamente na Faculdade de Ciências Sociais, além de ser conferencista em várias partes do mundo.