Pipocas do M

Esta Sexta-feira, muito cedo, recebi textos que me deixaram algo triste, com a capacidade humana de baixar para além daquilo que julgamos possível. Em política, então, as coisas chegam a criar náuseas.

POR: José Kaliengue

Na UNITA, por exemplo, apesar de o partido não ter o poder da governação do país, ou se calhar por isso mesmo, Samakuva conseguiu acalmar as coisas. Um mérito que lhe deve ser reconhecido. Entre os “unitas”, cá para fora, mal se ouve falar dos abusos cometidos por quem tinha o poder nas suas hostes. Supostamente, deveriam, à esta altura, estar a sair livros e entrevistas sobre os casos. Mas há um silêncio em torno de tudo. Se perdoaram e se uniram. Já entre os “empelás”, a coisa vai ao rubro e com facas afiadas, o campo de batalha é vasto, nas redes sociais, e os gladiadores dispensam livros e entrevistas. A baixaria ultrapassa os limites. A proximidade do congresso, que “não será electivo”, para além do provimento do lugar de presidente do partido, está a fazer muita gente esquecer-se da necessidade da coesão partidária para a manutenção do poder. E da imagem também, claro. Muitos esperam reposicionar-se no partido e na governação logo a seguir ao congresso, é legítimo e politicamente desejável, mas a forma como se estão a insultar e a torpedear o seu próprio partido… bem, deve estar aí a vir um “renovado”, não tarda. Tirando o incómodo de ver tanta baixaria nas redes sociais, até ao congresso este filme vai ajudar a subir o consumo de pipocas, e não tem intervalo.